quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Carta de viagem

6 meses que estava em casa, de volta a sua rotina, buscando organizar os próximos meses de sua vida. Alice sabia que ainda tinha muito  que fazer e se acostumar.
Ao buscar algumas fotografias de sua viagem, encontrou uma carta destinada a seu ex- noivo, que nunca havia sido enviada. A carta assim dizia...

Medellín, 02 de fevereiro de 2013

Querido,
Há 5 meses estou distante de seu carinho, abraços e beijos. Devo dizer que não passou um dia em que eu não pensei em você. Agora falta pouco para voltar. Espero que esteja aí, me esperando com seus olhos de menino travesso e desafiador.

Amor, também devo dizer que esse período longe do Brasil está me fazendo muito bem, ainda que todas as noites as saudades me façam companhia antes de dormir. A Colômbia é encantadora, acolhedora. A diversidade faz presença aqui. Sinto-me em casa muitas vezes. Estou apaixonada por seus ritmos, músicas, danças, cultura. Mas fique tranqüilo. Sei que essa viagem tem dia e hora exata para terminar. Uma viagem com data de validade. Logo estou voltando para morar no seu abraço e vê-lo acordar com os cabelos desajeitados. Te amo e sinto sua falta.

Com muito amor, Alice.


Quantas dessas palavras ainda fazem sentido hoje? 
- pensou Alice. 
Todas, concluiu.


 Exercício feito para a Universidad de Antioquia, em Medellin, 
Matéria: Imagen gráfica y Textual.
Pensar: 
Pior que o melhor de dois

Melhor do que sofrer depois
Se é isso que me tem o certo
A moça de sorriso aberto

Vídeo realizado para a matéria  de Vídeo Arte 
Universidad de Antioquia




quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Hasta pronto, Colombia! :')




Gracias Colombia por esa experiencia inolvidable, por hacerme conocer personas y lugares increíbles, por darme los 6 meses más felices y locos de mis 22 años de vida. ;) Escribo con todo el corazón y con los ojitos que ya quieren llorar. Jajajaja :’) Medellin, que rico vivir por aquí, que feliz yo fui por elegir esta ciudad para ser  mi casa. ;) 

En esos últimos meses viví un mix de sentimientos y ahora me viene la nostalgia, la alegría de pensar en todo que me pasó. Lloré, sonreír… de tristeza, de “saudades”, de felicidad, con ganas de volver a Brasil, con ganas de quedarme un rato más acá.  Estoy segura que maduré unos 50 años con este intercambio Jajajaja. Vivir sola y hacer intercambio es algo que sólo quien pasa lo puede entender. Es salir debajo de alas de los papás y volar con las tus propias. Volar con los ojos y corazón abiertos para el mundo que ahí está, esperándote para vivir todas las experiencias posibles (e inimaginables). 

Antes de venir, pensé en desistir del intercambio. Tuve miedo, pensé si era capaz de vivir lejos de mi país unos meses, si sería bien recibida en este país, en la Universidad, por las personas, como sería con el idioma. Llegué a Medellin sin saber lo que me esperaba y ahora regreso segura que fue la mejor aventura que podía elegir. 

Esa no es una despedida definitiva. Espero volver a este país que me ha hecho tan feliz (y dramática, y melancólica jajaja). Espero ver otra veces más a todos que conocí en esta ciudad. Colombianos, mexicanos, alemanes, brasileños… sea en Colombia o cualquier otro país. Esta experiencia no termina hoy, ella seguirá por toda mi vida, en mis recuerdos, en mi memoria, en mis fotografías, en el corazón. 

Agradezco a todos que estuvieron  y disfrutaron conmigo esa experiencia loca, pero increíble, llamada intercambio. :’)

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Pásalo bien y pare de sufrir...



Há exatos cinco meses eu entrei num avião que mudou o rumo da minha vida. Na bagagem vinha muita ansiedade para o novo que me esperava, receio de não me adaptar a uma nova cultura e muita, mas muita, vontade de voltar ao Brasil com ótimas histórias.

De pronto posso dizer que um sonho foi realizado. O quanto eu quis fazer intercambio poucos sabem. Com aperto no coração continuo dizendo que para o sonho chegar ao seu fim falta menos de um mês. Não que eu esteja me lamentando ou algo assim, pois, é claro, que saudades do Brasil, da família e dos amigos! Mas acho natural sentir esse aperto no peito em saber que algo que você sempre quis e conseguiu está chegando ao seu final. Que duro esses sonhos com data de validade!

Juntando a realidades dos fatos posso dizer que nem todos os meses de Colombia foram só sorrisos, alegrias e bons momentos. Quantas vezes eu já chorei por ter medo de enfrentar algo, quantas vezes eu me senti triste por estar longe de casa e da família, quantas vezes eu tive preguiça de ir ao supermercado e de lavar roupas. Rsrs E tiveram muitas outras “quantas vezes” e muitos momentos pelos quais passei e não desejaria a ninguém mais. Isso tudo, sem exceção, me fez perceber que posso ser forte e dura quando necessário, que manter a calma e ficar calada pode ser, de vez quando, uma solução e quanto ouvir as pessoas fazem bom ao seu coração também.

Algo que me fez muita companhia durante esses dias de intercambio foi a música, o sons, o ritmo. Sempre que me sentia sozinha e com vontade de chorar, colocava alguma música preferida ou alguma nova para ouvir. Quando sentia saudades do Brasil, colocava para ouvir uma Bossa Nova, um MPB, um pagodinho e até um funk de leve.  A música me acompanhou nesses meses e foi uma ótima companhia. Dediquei músicas a pessoas, pensei em algumas quando a escutava, relacionei muitas delas a momentos importantes do intercâmbio.  Ouço uma música e me vem a lembrança do lugar e com quem estava. Posso dizer a quem me perguntar, “quando eu ouço essa música, me lembro de estar com você aqui, nesse tal lugar”.

Outra que desde sempre me acompanha, é a minha inseparável câmera e todas as fotos que consigo com ela. Quando não tenho nada o que fazer, começo a ver algumas fotografias antigas, do início do intercambio, das viagens, das pessoas que já passaram pela Colombia e agora já estão de volta a suas realidades, a seus países de origem. Me dá nostalgia, me dá saudades, me dá vontade de chorar e querer voltar atrás. Mas não, não dá mais. Tudo que eu fiz, tentei ao máximo aproveitar os segundos.

Sinto que esses cinco últimos meses da minha vida foram os meses mais intensos de toda a minha existência. Foram cinco meses bem aproveitados, para ver paisagens incríveis, conhecer lugares e pessoas inesquecíveis. Foram os meses que mais “mix” de emoções eu tive, passando da gargalhada espontânea e incessante ao choro que me perguntava de onde vinham as lágrimas.

Por último, digo que se eu pudesse faria tudo isso de novo! Mudando uma coisinha aqui e outra alí, mas nada muito exagerado. Eu faria tudo e viveria isso tudo de novo, feliz da vida. ;) Como não é possível, as palavras, meus contos, meus textos, me fazem reviver isso tudo. Cada momento que passei e que ficaram em mim, em minhas lembranças, para sempre (e depois de sempre).

Colombia, não quero deixá-la, mas sei que a vida tem que seguir... :’(
Agora é aproveitar mais e mais os dias que ainda me faltam. Intensamente.
"Pásalo bien y pare de sufrir..."

sábado, 12 de janeiro de 2013

Buscando a si

“Não é amor, tão pouco paixão”, dizia a si mesma a menina limpando a maquiagem já borrada no rosto depois de um momento de choro incessante. Tentando se conformar, pensou, “talvez eu só quisesse uma companhia, alguém para conversar sobre o tempo que chove, sobre o novo álbum de uma das bandas favoritas ou último filme que entrou em cartaz no cinema...”. 

Clara sabia que isso já não o tinha mais...nem as conversas, nem a presença que preenchia os vazios de sua rotina e, com toda a certeza que tinha, Clara sabia que buscar isso em Murilo é como querer enxergar o que é invisível aos olhos ou tocar aquilo que é intangível.

Buscou assuntos e desculpas para conversas. Ele não se aproximou, ao contrário, se afastou quanto mais ela o procurava. Ela se cansou de buscar aquilo que ele não podia (leia-se queria) dar. Engana-se quem pensa que Clara exigia muito. A menina só queria um pouco de atenção, um aconchego num domingo à tarde, um beijinho na ponta do nariz quando estivesse triste.

Agora, que já não espera por Murilo, tenta encontrar uma parte de si mesma que durante o percurso se perdeu por algum lugar...


Pensar:
Don't you worry, don't you worry child
See heaven's got a plan for you. ;)


terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Possibilidades

Feliz Natal a todos. ;)
Que os presentes sejam possibilidades.


segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

O recibo que se apagou...


Clara se despertou depois das duas da tarde, mas ainda tinha sono. Não sabia o motivo, sequer tinha saído na noite anterior. Apesar disso, lutou contra suas vontades, se levantou da cama, lavou o rosto, preparou o café da manhã e sentou-se à mesa do computador para revisar tudo que era necessário fazer. Percebeu que ele estava online. Não se importou, não cogitou a ideia de puxa conversar. Estranho.

“Estranho não ter mais aquela vontade de falar com você, de te procurar, de querer saber o que está fazendo, se vai postar alguma música para escutar”, pensou.



Antes parecia que Clara tinha uma necessidade incontrolável de buscar ao Murilo, de saber como ele está e se com ela queria falar, conversar, bater papo...mas, dia após dia, aquilo tudo que Clara sentia foi desaparecendo, igual àqueles recibos de caixas eletrônicos que vai se apagando aos poucos. Só que dessa vez parece que Clara não havia tirado um xerox para ter de comprovação.

O mesmo parecia passar com Murilo...ao menos era o que Clara acreditava. Só que com ele passou em um tempo diferente, bem antes dela perceber que algumas letras de seu recibo já não apareciam mais.


Pensar:
 
.






sábado, 1 de dezembro de 2012

Quando queremos fugir da realidade..



Todos os dias, às 6h da manhã, com o sol já aparecendo na janela do quarto, o despertador de Manuel o indicava que era a hora de se levantar para mais um dia de sua rotina. Olhava para o lado e via Luiza, sua noiva, ainda sonolenta, com os olhos meio fechados, meio abertos, uma preguiça bonita de se ver. Se não tivesse que se levantar, ele ficaria horas ali, ao seu lado na cama, apenas observando-a. Olhava para cada traço de seu rosto e para cada contorno de seu corpo. Traços e contornos que o encantavam e o seduziam.

 - Fique só mais um pouquinho aqui comigo. – Disse Luiza, abrindo os olhos, com uma voz encantadoramente rouca de quem acabou de acordar.

Manuel silenciou por alguns segundos, abraçou e deu-lhe um beijo de bom dia. Ficou pensativo, buscou o que dizer, balbuciou com as palavras.

- Não posso meu amor, embora quisesse. Você sabe que se chego mais uma vez atrasado ao trabalho, me demitem e – parou as palavras por alguns segundos - Como viveremos sem ele?

 Manuel e Luiza, embora não sejam casados, vivem juntos há um pouco mais de sete anos. Ele a conheceu ainda na Faculdade, quando tinha a sua bandinha de Rock – em diminutivo, pois era assim que se referia Luiza à banda antes dos dois engatarem um namoro. Manuel acredita que foi esse diminutivo o grande motivo para os dois começarem o romance. Uma vez na faculdade, depois de um dos shows de sua banda, ouviu Luiza comentando com uma amiga sobre o concerto. Ela usou tantas vezes a palavra “bandinha” que Manuel ficou irritado a ponto de perguntá-la o motivo pelo qual se referia assim. Isso foi apenas mais um truque de Luiza, pois sabia perfeitamente que o vocalista da banda a estava escutando e sua provocação foi toda feita de ato pensando, afinal, aquele rapaz de cabelos revoltos em cima do palco chamou sua atenção e ela não poderia negar.

Depois de esse dia, os dois nunca mais ficaram longe um do outro. Sempre juntos na faculdade, nos bares, nos shows. Após estar formado em Economia e Luiza em Artes, resolveram viver juntos, ainda sem pensar em casamento. Manuel seguia com os shows de sua banda, porém a cada semestre um membro abandonava esse sonho. Apenas vivendo de shows não era suficiente para ter estabilidade na sua vida e, tendo a certeza disso, Manuel teve que se desfazer também desse sonho.

Depois de um ano, conseguiu um emprego em uma empresa de investimentos. Trabalhava de 8 da manhã até às 5 da tarde. Uma carga de trabalho intensa. Era formado em economia, porém não gostava sequer de números. Queria viver de música e fazer dela a sua vida, mas a realidade dos fatos não o deixou.

Desde então, sempre as seis manhã, quando ouvia o despertador, não sabia se se desesperava ou se sorria. O único momento que o deixava feliz, tirando todos aqueles que estava ao lado de Luiza, era quando estava embaixo da ducha, tendo a liberdade de cantar para si mesmo e para a vida.

Inevitáveis



Despedidas são sempre inevitáveis. ;)


É difícil saber que tudo isso aqui tem dia e hora para terminar, como uma data de validade que dentro de uns meses está prestes a vencer. E como cada um tem sua data de partida, a despedida é divida em infinitas vezes e isso, de alguma forma, te faz pensar quando será a sua vez de dizer um "hasta luego" e voltar a sua vida, a sua realidade, a sua rotina. 



Depois de um tempo, de uns meses, de uns dias, todos seguirão seus rumos, fechando ciclos para iniciar outros. A vida é assim, e, assim mesmo, ela é incrível. ;)


Publicado em 27 de novembro em minha página no Facebook.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Intensamente, repito.



Logo, logo, três meses. Três meses de distância, de saudades, de vontade de querer voltar, de vontade de querer ficar. Vontade de não querer pensar no tempo que voa e que quando voa percebo que por aqui estou de passo. De passo em uma cidade que não é minha, mas sinto como se já fosse. Mas, ai... que saudade do Rio! Que saudade do Brasil!

Em meio a tantos pensamentos, não sei ao certo o que definir aquilo que sinto. Depois de esses três meses me sinto como se já estivesse me despedindo de Medellin. Por quê? Ainda me restam alguns meses. Fico triste. Fico feliz. Penso, penso e penso. E choro. E rio. E quero voltar. E quero ficar. E quero ficar mais.

Mas, percebo, minha realidade não é aqui. Minha realidade está lá no Rio. Aqui estou de passo, repito a mim mesma. Para que se importar tanto com isso? Para que pensar tanto nisso? Não pense. Viva somente. Intensamente. É o que se está fazendo?

Tantas situações cotidianas, tantas experiências, tantas impaciências. Dias de “inferno” astral? Dias de “contribuição” do universo?  Aqui sou eu e eu somente. Já tive que ser firme, enfrentar de cara, não fugir da raia. Não desistir. Aqui sou eu e o mundo. Já tive que dançar todos os ritmos, aprender palavrões colombianos, já tive que (tentar) parar de sorrir para não me doer a barriga. Já sonhei. Sonhei só que não se realizou. Sonhei e, sim, realizou e está se realizando. Aqui estou. De viagem, de passagem, de saudade. Eu quis. Eu sempre quis. Não a tristeza. Não os choros. Ou consequências. Quis os risos, sorrisos, gargalhadas. Não se importe. Viva. Intensamente, repito. 
E sorrio.


Pensar:


E quando o dia não passar de um retrato
Colorindo de saudade o meu quarto
Só aí vou ter certeza de fato
Que eu fui feliz
O que vai ficar na fotografia
São os laços invisíveis que havia
As cores, figuras, motivos
O sol passando sobre os amigos
Histórias, bebidas, sorrisos...


Fotografia - Leoni


sábado, 6 de outubro de 2012

Ao contrário



Começou com umas apresentações, um boa-noite e um "Eu sou Murilo...". Tão pouco se falaram, perguntaram as idades, o que faziam da vida. Apenas o nome bastara naquele momento. Principalmente porque Clara não tinha nenhuma intenção, nem o achara o cara que mudaria sua vida. Não naquela noite que começou sem sentido e terminou também. Uma noite sem dar um "até logo" ou um "foi um prazer conhecê-la", ou, ainda, "me passa o número do seu celular ou o seu nome do Facebook?". Nada disso. E se estressar para quê? - pensou a menina.

Chegou em casa as 4 da manhã. Foi uma noite legal, com pessoas legais, num lugar legal, com um final nem tão legal assim...mas, tudo bem, nada como o término de uma noite e o início de um dia. Entretanto, no dia seguinte o rumo da história mudou completamente (ou quase completamente). Um nome, uns abraços e um até logo não dito não podem revelar muito sobre uma pessoa. Também não se conhece mais depois de outra festa, outro abraço, mais um silêncio e um até logo interrompido. Clara continuou a não se importar tanto, a não se queixar tanto, a não esperar tanto. Melhor assim, pensou.

Mais alguns dias, mais algumas conversas, sem abraços, sem contato, sem olhares cruzados. Como mudou? Por que se importou? Por que esperou? Simples, ela conheceu Murilo ao contrário. Primeiro veio o abraço, o contato, o beijo, mas todos de um anônimo, uma pessoa que desconhecia. E depois passou a se encantar com os detalhes, com as frases, com a exposição diferente de falar sobre o "ser", com a forma simples de falar sobre amor. 


Clara pensa: "Agora não seria o momento."


Pensar:


"A análise constante das nossas sensações cria 
modo novo de sentir, que parece artificial a quem analise só com a inteligência, que não com a própria sensação."

"Sou em grande parte, a mesma prosa que escrevo. Desenrolo-me em períodos e parágrafos, faço-me pontuações, e, na distribuição desencadeada das imagens, visto-me, como as crianças de rei com papel de jornal, ou, no modo como faço ritmo de uma série de palavras, me touco, como os loucos, de flores secas que continuam vivas nos meus sonhos."

Fernando Pessoa


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