Ao folhear um livro numa dessas bibliotecas a céu aberto, Clara encontrou dentro de um deles um papel amassado, um pouco rasgado, mas que ainda dava para ler bem a letra cursiva escrita em tinta vermelha. Não estava datado, tão pouco assinado, mas estava claro que quem o escreveu, não queria que ninguém mais lesse.
Em caligrafia delicada, tais palavras manchavam de vermelho o papel:
"Curiosamente ainda espero você me enviar uma mensagem para dizer que andou pensando em mim, que sentiu saudades, que gostaria de me encontrar. Curiosamente ainda espero você me dizer que gostou daquela noite, que se pudesse repetiria muitas outras vezes. Como espero que num desses encontros casuais me roube um beijo travesso, do jeito que sabe fazer, com mãos ao redor da cintura, um sorriso escondido, um carinho na nuca. Curiosamente espero, sem nenhuma pretensão, sem nenhuma esperança de que esses desejos sejam seus também, além de somente meus".
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quinta-feira, 9 de janeiro de 2014
sábado, 8 de junho de 2013
Não precisou dizer adeus...
As mãos estavam sobre a mesa. Ela
passava os dedos uns sobre os outros, aparentando inquietude. Ele se fixava ao
celular... mãos e dedos que respondiam mensagens de alguma rede social. O silêncio ali
permaneceu por longos e eternos minutos. Não se conteve. Levantou-se num
impulso. Não disse adeus ainda que as palavras quisessem se desenrolar dos nós
da garganta.
Os que se surpreendiam ao ver essa
cena momentânea e observavam os olhos da menina que se levantava, podiam não
saber o que a motivou agir assim. Mas tinham certeza de que a coragem foi sua
maior conquista para aquela noite.
Murilo não olhava Clara nos olhos.
Enquanto ela falava com espontaneidade, sorrindo, gesticulando. Falava com os
lábios, olhos, mãos, cabelos... Clara era assim. Era dela. Porém, notável, com
Murilo era diferente. Tudo era feito e pensado na melhor forma de encantá-lo, conquistá-lo.
Ele notava? Ele não estava ali porque queria? Ele sabia o quanto era importante
aqueles minutos de sua atenção? Clara sabia que sim. Para todas, sem exceção.
Murilo sabia o que causava em Clara...só não queria. Ela sabia.
Naquele instante, sentados na mesa
de um bar, Clara teve certeza de que por mais que fizesse de tudo...nada
mudaria. Foi nesse momento que ela que resolveu mudar. E nem precisou dizer
adeus.
Pensar:
I'm living on such sweet nothing
But I'm tired of hope with nothing to hold
I'm living on such sweet nothing
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contos,
de conto em conto,
pensar
sábado, 27 de abril de 2013
Felicidade, venha...puxa a cadeira e me faça companhia.
É necessário não fazer planos para alguns planos não feitos por dois. Não podemos pensar que em cada detalhe existe algo oculto,
escondido, envergonhado ou com medo de ser exposto. Muitas vezes ele não está,
ainda que sua “certeza” diga que sim. É fácil se apegar antes
do fato, antes dos olhos que se olham profundamente e revelam, antes de uma só
palavra que venha alguma constatação.
Os detalhes, evidentes ou não, que devem ser reparados (racionalmente). Sabemos...está na essência. Sonhar. Idealizar. Pensar...nas (im)possibilidades, nos casos
(ir)reais, nas (des)ilusões constantes.
Felicidade, venha...puxa a cadeira e me faça companhia.
Categorias:
de conto em conto,
verso e prosa
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013
Carta de viagem
6 meses que estava em casa, de volta a sua rotina, buscando organizar os próximos meses de sua vida. Alice sabia que ainda tinha muito que fazer e se acostumar.
Ao buscar algumas fotografias de sua viagem, encontrou uma carta destinada a seu ex- noivo, que nunca havia sido enviada. A carta assim dizia...
Medellín, 02 de fevereiro de 2013
Querido,
Há 5 meses estou distante de seu carinho, abraços e beijos. Devo dizer que não passou um dia em que eu não pensei em você. Agora falta pouco para voltar. Espero que esteja aí, me esperando com seus olhos de menino travesso e desafiador.
Amor, também devo dizer que esse período longe do Brasil está me fazendo muito bem, ainda que todas as noites as saudades me façam companhia antes de dormir. A Colômbia é encantadora, acolhedora. A diversidade faz presença aqui. Sinto-me em casa muitas vezes. Estou apaixonada por seus ritmos, músicas, danças, cultura. Mas fique tranqüilo. Sei que essa viagem tem dia e hora exata para terminar. Uma viagem com data de validade. Logo estou voltando para morar no seu abraço e vê-lo acordar com os cabelos desajeitados. Te amo e sinto sua falta.
Com muito amor, Alice.
Quantas dessas palavras ainda fazem sentido hoje? - pensou Alice.
Todas, concluiu.
Exercício feito para a Universidad de Antioquia, em Medellin,
Matéria: Imagen gráfica y Textual.
Pensar:
Pior que o melhor de dois
Melhor do que sofrer depois
Se é isso que me tem o certo
A moça de sorriso aberto
Vídeo realizado para a matéria de Vídeo Arte
Universidad de Antioquia
Vídeo realizado para a matéria de Vídeo Arte
Universidad de Antioquia
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pensar
sábado, 12 de janeiro de 2013
Buscando a si
“Não é amor, tão pouco paixão”, dizia a si mesma a menina
limpando a maquiagem já borrada no rosto depois de um momento de choro incessante.
Tentando se conformar, pensou, “talvez eu só quisesse uma companhia, alguém
para conversar sobre o tempo que chove, sobre o novo álbum de uma das bandas
favoritas ou último filme que entrou em cartaz no cinema...”.
Clara sabia que
isso já não o tinha mais...nem as conversas, nem a presença que preenchia os
vazios de sua rotina e, com toda a certeza que tinha, Clara sabia que buscar isso
em Murilo é como querer enxergar o que é invisível aos olhos ou tocar aquilo
que é intangível.
Buscou assuntos e desculpas para conversas. Ele não se
aproximou, ao contrário, se afastou quanto mais ela o procurava. Ela se cansou
de buscar aquilo que ele não podia (leia-se queria) dar. Engana-se quem pensa
que Clara exigia muito. A menina só queria um pouco de atenção, um aconchego
num domingo à tarde, um beijinho na ponta do nariz quando estivesse triste.
Agora, que já não espera por Murilo, tenta encontrar uma
parte de si mesma que durante o percurso se perdeu por algum lugar...
Pensar:
Don't you worry, don't you worry child
See heaven's got a plan for you. ;)
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de conto em conto
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