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domingo, 31 de agosto de 2014

Sobre despedidas

É que eu precisava me perder para me encontrar.

Inevitavelmente, mais cedo ou mais tarde, os caminhos que hoje se cruzam, um dia se tornarão distintos.

A vida nos proporciona  diariamente encontros e desencontros e algumas das vezes sequer nos damos conta. Há aqueles que duram um fragmento de um minuto, como um bom dia dito rapidamente. Outros que duram uma vida, como amores típicos de cinema que podem sim existir na vida cotidiana.

Quem pode controlar o tempo que uma pessoa permanece ao seu lado, nos seus dias, cruzando os passos diariamente? Quem  consegue perceber a proximidade de uma despedida? Quem consegue dizer adeus quando não faz sentido dizer tal  palavra? 

Não podemos controlar os passos e caminhos que outras pessoas trilham, sequer interferir em suas escolhas. Nos  resta apenas observar, por mais que não possamos compreender, que esses caminhos e destinos que se cruzam tem seu sentido, tem o seu porquê. E não precisamos  correr atrás de  explicações, de motivos para dois caminhos que eram distintos terem se cruzado. Não, não é necessário. O ponto que precisamos nos atentar é em como aproveitamos esses caminhos e passos cruzados. E talvez esse maior um de nossos erros: percebermos o quão boa era uma companhia quando já não a temos mais, seja por conta de um adeus que se é "eterno", seja por um até logo que nos traz ou não a possibilidade de nos encontrarmos outra vez mais.

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Essa semana me encontrei com esse texto aí de cima, perdido entre um dos meus livros. Ele foi escrito há quase dois meses a um amigo, que surgiu na minha vida, fez uma bagunça e tão logo foi embora, estando há mais de 15 horas de distância em avião.

Pessoas surgem diariamente em nossas vidas, só devemos ter a sensibilidade de perceber com qual vale a pena nos importar ou não. Ao final da carta eu dizia "Aproveite os passos e caminhos que se cruzam ao seu, aproveite o tempo. Perceba que as pessoas podem se tornar muito especiais se você permitir que elas sejam".

Querem mais verdades que essas? ;)


quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Curiosamente

Ao folhear um livro numa dessas bibliotecas a céu aberto, Clara encontrou dentro de um deles um papel amassado, um pouco rasgado, mas que ainda dava para ler bem a letra cursiva escrita em tinta vermelha. Não estava datado, tão pouco assinado, mas estava claro que quem o escreveu, não queria que ninguém mais lesse.

Em caligrafia delicada, tais palavras manchavam de vermelho o papel:


"Curiosamente ainda espero você me enviar uma mensagem para dizer que andou pensando em mim, que sentiu saudades, que gostaria de me encontrar. Curiosamente ainda espero  você me dizer que gostou daquela noite, que se pudesse repetiria muitas outras vezes. Como espero que num desses encontros casuais me roube um beijo travesso, do jeito que sabe fazer, com mãos ao redor da cintura, um sorriso escondido, um carinho na nuca. Curiosamente espero, sem nenhuma pretensão, sem nenhuma esperança de que esses desejos sejam seus também, além de somente meus".


terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Silêncios...

Estava sozinha, sentada num banco da praça. Eram 19h, numa sexta-feira. Todos saiam do trabalho e iam encontrar seus familiares, amigos, namorados, futuros maridos. Cada qual com um destino, com um plano para a noite. Ela, porém, não o tinha. Sem planos para aquela noite. Sem nenhuma ideia do que faria. Sentada naquele banco ela se propôs uma experiência e observou a todos que passavam ao seu lado, os que andavam a passos largos, lentos, os que paravam para cumprimentar alguém que não o via há tempos. Há aqueles mais curiosos que também estão sentados em outros bancos ou parados em pontos estratégicos. Quem espera? Para onde vão? Olhavam o relógio, mexiam nos celulares, uns já impacientes. Por certo esperavam alguém. Ela não. 

sábado, 8 de junho de 2013

Não precisou dizer adeus...



As mãos estavam sobre a mesa. Ela passava os dedos uns sobre os outros, aparentando inquietude. Ele se fixava ao celular... mãos e dedos que respondiam mensagens de alguma rede social. O silêncio ali permaneceu por longos e eternos minutos. Não se conteve. Levantou-se num impulso. Não disse adeus ainda que as palavras quisessem se desenrolar dos nós da garganta.

Os que se surpreendiam ao ver essa cena momentânea e observavam os olhos da menina que se levantava, podiam não saber o que a motivou agir assim. Mas tinham certeza de que a coragem foi sua maior conquista para aquela noite. 

Murilo não olhava Clara nos olhos. Enquanto ela falava com espontaneidade, sorrindo, gesticulando. Falava com os lábios, olhos, mãos, cabelos... Clara era assim. Era dela. Porém, notável, com Murilo era diferente. Tudo era feito e pensado na melhor forma de encantá-lo, conquistá-lo. Ele notava? Ele não estava ali porque queria? Ele sabia o quanto era importante aqueles minutos de sua atenção? Clara sabia que sim. Para todas, sem exceção. Murilo sabia o que causava em Clara...só não queria. Ela sabia.

Naquele instante, sentados na mesa de um bar, Clara teve certeza de que por mais que fizesse de tudo...nada mudaria. Foi nesse momento que ela que resolveu mudar. E nem precisou dizer adeus.



Pensar:


 I'm living on such sweet nothing
But I'm tired of hope with nothing to hold
I'm living on such sweet nothing


quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Carta de viagem

6 meses que estava em casa, de volta a sua rotina, buscando organizar os próximos meses de sua vida. Alice sabia que ainda tinha muito  que fazer e se acostumar.
Ao buscar algumas fotografias de sua viagem, encontrou uma carta destinada a seu ex- noivo, que nunca havia sido enviada. A carta assim dizia...

Medellín, 02 de fevereiro de 2013

Querido,
Há 5 meses estou distante de seu carinho, abraços e beijos. Devo dizer que não passou um dia em que eu não pensei em você. Agora falta pouco para voltar. Espero que esteja aí, me esperando com seus olhos de menino travesso e desafiador.

Amor, também devo dizer que esse período longe do Brasil está me fazendo muito bem, ainda que todas as noites as saudades me façam companhia antes de dormir. A Colômbia é encantadora, acolhedora. A diversidade faz presença aqui. Sinto-me em casa muitas vezes. Estou apaixonada por seus ritmos, músicas, danças, cultura. Mas fique tranqüilo. Sei que essa viagem tem dia e hora exata para terminar. Uma viagem com data de validade. Logo estou voltando para morar no seu abraço e vê-lo acordar com os cabelos desajeitados. Te amo e sinto sua falta.

Com muito amor, Alice.


Quantas dessas palavras ainda fazem sentido hoje? 
- pensou Alice. 
Todas, concluiu.


 Exercício feito para a Universidad de Antioquia, em Medellin, 
Matéria: Imagen gráfica y Textual.
Pensar: 
Pior que o melhor de dois

Melhor do que sofrer depois
Se é isso que me tem o certo
A moça de sorriso aberto

Vídeo realizado para a matéria  de Vídeo Arte 
Universidad de Antioquia




sábado, 12 de janeiro de 2013

Buscando a si

“Não é amor, tão pouco paixão”, dizia a si mesma a menina limpando a maquiagem já borrada no rosto depois de um momento de choro incessante. Tentando se conformar, pensou, “talvez eu só quisesse uma companhia, alguém para conversar sobre o tempo que chove, sobre o novo álbum de uma das bandas favoritas ou último filme que entrou em cartaz no cinema...”. 

Clara sabia que isso já não o tinha mais...nem as conversas, nem a presença que preenchia os vazios de sua rotina e, com toda a certeza que tinha, Clara sabia que buscar isso em Murilo é como querer enxergar o que é invisível aos olhos ou tocar aquilo que é intangível.

Buscou assuntos e desculpas para conversas. Ele não se aproximou, ao contrário, se afastou quanto mais ela o procurava. Ela se cansou de buscar aquilo que ele não podia (leia-se queria) dar. Engana-se quem pensa que Clara exigia muito. A menina só queria um pouco de atenção, um aconchego num domingo à tarde, um beijinho na ponta do nariz quando estivesse triste.

Agora, que já não espera por Murilo, tenta encontrar uma parte de si mesma que durante o percurso se perdeu por algum lugar...


Pensar:
Don't you worry, don't you worry child
See heaven's got a plan for you. ;)


segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

O recibo que se apagou...


Clara se despertou depois das duas da tarde, mas ainda tinha sono. Não sabia o motivo, sequer tinha saído na noite anterior. Apesar disso, lutou contra suas vontades, se levantou da cama, lavou o rosto, preparou o café da manhã e sentou-se à mesa do computador para revisar tudo que era necessário fazer. Percebeu que ele estava online. Não se importou, não cogitou a ideia de puxa conversar. Estranho.

“Estranho não ter mais aquela vontade de falar com você, de te procurar, de querer saber o que está fazendo, se vai postar alguma música para escutar”, pensou.



Antes parecia que Clara tinha uma necessidade incontrolável de buscar ao Murilo, de saber como ele está e se com ela queria falar, conversar, bater papo...mas, dia após dia, aquilo tudo que Clara sentia foi desaparecendo, igual àqueles recibos de caixas eletrônicos que vai se apagando aos poucos. Só que dessa vez parece que Clara não havia tirado um xerox para ter de comprovação.

O mesmo parecia passar com Murilo...ao menos era o que Clara acreditava. Só que com ele passou em um tempo diferente, bem antes dela perceber que algumas letras de seu recibo já não apareciam mais.


Pensar:
 
.






sábado, 1 de dezembro de 2012

Quando queremos fugir da realidade..



Todos os dias, às 6h da manhã, com o sol já aparecendo na janela do quarto, o despertador de Manuel o indicava que era a hora de se levantar para mais um dia de sua rotina. Olhava para o lado e via Luiza, sua noiva, ainda sonolenta, com os olhos meio fechados, meio abertos, uma preguiça bonita de se ver. Se não tivesse que se levantar, ele ficaria horas ali, ao seu lado na cama, apenas observando-a. Olhava para cada traço de seu rosto e para cada contorno de seu corpo. Traços e contornos que o encantavam e o seduziam.

 - Fique só mais um pouquinho aqui comigo. – Disse Luiza, abrindo os olhos, com uma voz encantadoramente rouca de quem acabou de acordar.

Manuel silenciou por alguns segundos, abraçou e deu-lhe um beijo de bom dia. Ficou pensativo, buscou o que dizer, balbuciou com as palavras.

- Não posso meu amor, embora quisesse. Você sabe que se chego mais uma vez atrasado ao trabalho, me demitem e – parou as palavras por alguns segundos - Como viveremos sem ele?

 Manuel e Luiza, embora não sejam casados, vivem juntos há um pouco mais de sete anos. Ele a conheceu ainda na Faculdade, quando tinha a sua bandinha de Rock – em diminutivo, pois era assim que se referia Luiza à banda antes dos dois engatarem um namoro. Manuel acredita que foi esse diminutivo o grande motivo para os dois começarem o romance. Uma vez na faculdade, depois de um dos shows de sua banda, ouviu Luiza comentando com uma amiga sobre o concerto. Ela usou tantas vezes a palavra “bandinha” que Manuel ficou irritado a ponto de perguntá-la o motivo pelo qual se referia assim. Isso foi apenas mais um truque de Luiza, pois sabia perfeitamente que o vocalista da banda a estava escutando e sua provocação foi toda feita de ato pensando, afinal, aquele rapaz de cabelos revoltos em cima do palco chamou sua atenção e ela não poderia negar.

Depois de esse dia, os dois nunca mais ficaram longe um do outro. Sempre juntos na faculdade, nos bares, nos shows. Após estar formado em Economia e Luiza em Artes, resolveram viver juntos, ainda sem pensar em casamento. Manuel seguia com os shows de sua banda, porém a cada semestre um membro abandonava esse sonho. Apenas vivendo de shows não era suficiente para ter estabilidade na sua vida e, tendo a certeza disso, Manuel teve que se desfazer também desse sonho.

Depois de um ano, conseguiu um emprego em uma empresa de investimentos. Trabalhava de 8 da manhã até às 5 da tarde. Uma carga de trabalho intensa. Era formado em economia, porém não gostava sequer de números. Queria viver de música e fazer dela a sua vida, mas a realidade dos fatos não o deixou.

Desde então, sempre as seis manhã, quando ouvia o despertador, não sabia se se desesperava ou se sorria. O único momento que o deixava feliz, tirando todos aqueles que estava ao lado de Luiza, era quando estava embaixo da ducha, tendo a liberdade de cantar para si mesmo e para a vida.

sábado, 6 de outubro de 2012

Ao contrário



Começou com umas apresentações, um boa-noite e um "Eu sou Murilo...". Tão pouco se falaram, perguntaram as idades, o que faziam da vida. Apenas o nome bastara naquele momento. Principalmente porque Clara não tinha nenhuma intenção, nem o achara o cara que mudaria sua vida. Não naquela noite que começou sem sentido e terminou também. Uma noite sem dar um "até logo" ou um "foi um prazer conhecê-la", ou, ainda, "me passa o número do seu celular ou o seu nome do Facebook?". Nada disso. E se estressar para quê? - pensou a menina.

Chegou em casa as 4 da manhã. Foi uma noite legal, com pessoas legais, num lugar legal, com um final nem tão legal assim...mas, tudo bem, nada como o término de uma noite e o início de um dia. Entretanto, no dia seguinte o rumo da história mudou completamente (ou quase completamente). Um nome, uns abraços e um até logo não dito não podem revelar muito sobre uma pessoa. Também não se conhece mais depois de outra festa, outro abraço, mais um silêncio e um até logo interrompido. Clara continuou a não se importar tanto, a não se queixar tanto, a não esperar tanto. Melhor assim, pensou.

Mais alguns dias, mais algumas conversas, sem abraços, sem contato, sem olhares cruzados. Como mudou? Por que se importou? Por que esperou? Simples, ela conheceu Murilo ao contrário. Primeiro veio o abraço, o contato, o beijo, mas todos de um anônimo, uma pessoa que desconhecia. E depois passou a se encantar com os detalhes, com as frases, com a exposição diferente de falar sobre o "ser", com a forma simples de falar sobre amor. 


Clara pensa: "Agora não seria o momento."


Pensar:


"A análise constante das nossas sensações cria 
modo novo de sentir, que parece artificial a quem analise só com a inteligência, que não com a própria sensação."

"Sou em grande parte, a mesma prosa que escrevo. Desenrolo-me em períodos e parágrafos, faço-me pontuações, e, na distribuição desencadeada das imagens, visto-me, como as crianças de rei com papel de jornal, ou, no modo como faço ritmo de uma série de palavras, me touco, como os loucos, de flores secas que continuam vivas nos meus sonhos."

Fernando Pessoa


terça-feira, 12 de junho de 2012

Dias de Sorrisos



Nesse Dia dos Namorados Clara só pensava em: “Nossa, a galera deixou para comprar os presentes em cima da hora”. Mas, refletiu, “pelo menos compraram e, provavelmente, também ganharão”. Ela andava pelas ruas pensativa, sem rumo certo, com certeza de que para a noite não havia nada programado. Esperava, quem sabe, por algo que mudasse os planos, que a levasse a um rumo diferente. Pensou em todas as possibilidades, imaginou todas as situações possíveis e, é óbvio, não aconteceu nada além dela ter que voltar para casa, se contentar em assistir a televisão e ler seus livros de cabeceira. Perguntava-se por qual o motivo, durante os últimos 10 anos de sua vida, ela passou essa data sempre pensando nas “possibilidades” e não nas “realidades”. Em alguns momentos realmente acreditava que o problema era com ela, aliás, que o problema era ela. Pensava que devia ser por seu jeito dramático de lidar com as emoções, ou, então, por sua aparência que às vezes era um tanto desajeitada. Em outros momentos aceitou, refletiu, se cansou de procurar e esperar, resolveu viver para si. Entretanto, no final de cada fase inconstante que sentia, via-se sozinha e sabia perfeitamente que era muito melhor sorrir a dois. Porém, perguntava-se todos dias antes de dormir, “Até quando precisarei que esperar por esse sorriso?”. Clara fechava os olhos e planejava pelos próximos momentos...


terça-feira, 24 de abril de 2012

Felicidade Compartilhada


E de repente o peito ficou tão apertado que mal podia respirar. O coração tinha batidas mais intensas. Lágrimas ameaçaram rolar pela face. Não, a menina não estava doente. Eram saudades mesmo. Saudades de algo que ela não teve. E, de verdade, sabia com toda certeza que nunca haveria de ter. Fazia de tudo para não cair num choro profundo, para não sentir piedade de si mesma, para acreditar ou, ao menos, se agarrar em alguma evidência surgida de sua imaginação.

 Ela queria que aquela história, imaginada todas as vezes quando sozinha em seus pensamentos, se materializasse de alguma forma, ou de outra..tanto faz. Ela nem fazia  questão de ser ao pé da letra. Bastava que ela fosse a personagem principal.
Sem devaneios. Sem ter que fechar os olhos para ver as ações, os abraços, os beijos, os carinhos. Clara queria ter aquela história para ela, em realidade, sem imaginações, sem ter que sentir uma dor no peito todas as vezes que abrir os olhos e ver que não há nada além dela mesma.

Agora ela quer se preencher de bochechas grudadas, dedos mindinhos juntinhos, descuidado encontro de joelhos. Clara quer morar no abraço, mãos entrelaçadas à cintura e olhos que se cruzam em intensidade. Ela quer uma felicidade. Felicidade, essa, compartilhada.


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