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sábado, 17 de agosto de 2013

E um ano depois..



“17 de agosto”. Hoje exato um ano que embarquei num avião rumo a uma viagem surpreendente que durou alguns meses. É de certa forma estranho falar sobre isso, pois parece ter sido ontem e não um ano atrás. As lembranças seguem vivas aqui ao mesmo tempo que meu coração sente uma saudade que dói. Estou fazendo drama (como sempre), mas se não houvesse drama não seria um texto meu. :p

Há um ano eu embarquei num avião sozinha, levando a ansiedade na bagagem e deixando uma vida aqui no Rio estacionada durante uns meses. Antes de ir nessa louca (e sensacional) aventura tive que fazer escolhas, abandonar um estágio, deixar um semestre de faculdade pra trás... mas senti que aquele era o momento para isso. Aquele era o momento para eu me arriscar a trilhar meu caminho sozinha e descobrir com meus próprios passos qual seria a melhor direção a seguir. Ali era eu e meus sonhos, minha curiosidade, minha sede por conhecer outras culturas e pessoas e momentos e lugares e outras vidas. Depois do intercâmbio, sinto que a vontade de conhecer o "desconhecido" apenas aumentou. Podemos dizer que foi criado um vício (gostoso) de querer viajar e conhecer novas cidades, novos países... às vezes sinto que a vida não tem sentido se você resume ela a apenas uma perspectiva, ao analisar somente sobre a visão de sua cultura, sobre os filtros que você coloca em sua “observação” do outro sem nem ao menos perceber. Acho que a minha viagem é isso, buscar entender o por quê da minha própria existência. Aprender mais sobre eu mesma e entender os meus limites. Ver que a vida é muito mais que a rotina de pegar metrô lotado para ir da casa a faculdade. O conhecimento, as experiências são outras tão mais ricas, meu amigo.

O que seria de mim hoje se eu não tivesse a coragem de “estacionar” uma vida aqui e ir viver uma outra, com tantas novidades? Infelizmente nunca poderei saber. Mas hoje, um ano depois, a minha única certeza é que essa experiência é algo que levarei para toda vida e além dela. ;)

Como eu poderia ficar sem conhecer as pessoas incríveis que passaram por mim? Os momentos de saudades, as “rumbas”, as cidades lindas, até mesmo o guaro, patacon, mango biche e pizza hawaiana (que até hoje não sei pronunciar em português haha). Não esquecendo da experiência nas águas caribenhas, no carnaval diferente de Pasto, na viagem incrível de final de semestre na Universidade, além do mochilão de fim de ano, comemorando o Natal em Medellin, meu aniversário em Cali, Ano Novo em Quito. Uffa... quantas experiências e momentos gostosos de serem recordados.

Mas todo intercâmbio tem seus momentos deprês. Não nego que chorei de saudade, que quis voltar pro Brasil em alguns momentos, que quis dizer adeus. Não foi fácil, tão pouco as mil maravilhas. Tive momentos de choro, raiva, medo... mas tudo, absolutamente tudo, me fizeram amadurecer e aprender a lidar com as surpresas (nem sempre boas) que a vida nos traz. Todos esses momentos me mostraram que sou muito mais forte do que imaginava.... e que muitas pequenas reclamações diárias que eu faço não me servem para nada, apenas para me deixar de mau humor.

Outra grande experiência que aprendi é que nós dependemos apenas de nós mesmos em diversos casos. Se quiser fazer algo, faça! Vá, arrume as malas, sai de casa, vai ver a vida. Nem que seja parar sentar debaixo de uma árvore e pensar na vida ou ficar horas na biblioteca lendo livros interessantes sobre fotografia. Sozinha. Sim, por que não? Por que a estranha mania de sempre pensar em alguém a mais para fazer um programa com você? Ter uma companhia é sempre ótimo, mas, às vezes, a vida quer que você faça isso sozinha. E, sem dúvidas, te reserva uma experiência totalmente diferente de tudo.

Digo, com toda certeza, repetiria tudo novamente. Talvez aproveitando mais aqui e reclamando menos daquilo ali. Mas faria tudo novamente. O intercâmbio veio na hora exata, na hora que eu mais precisava para entender mais sobre mim mesma, a valorizar mais minhas ideias. A aproveitar mais a vida. A não ter medo de fazer escolhas quando necessário e saber que não há como fugir dos problemas quando surgem.

Nesse momento, meus olhos se enchem de lágrimas. A vontade de querer voltar ao tempo é grande e a curiosidade de saber quando vou vivenciar isso de novo é maior ainda.

Colombia, obrigada por tantos momentos incríveis. E logo estarei de volta..como perfeita “viajera”. :)

segunda-feira, 4 de março de 2013

Intercâmbio: o que é necessário fazer antes do embarque



Quando soube que havia conseguido a bolsa de intercâmbio (Programa de bolsas Ibero-Americanas) repensei a idéia de realmente ir ou não. Podem acreditar, é diferente quando se consegue uma bolsa de estudos, pois, por mais que você queira muito e há certo tempo tem buscado conseguir, quando se recebe a notícia, você precisa de pelo menos dois dias para assimilar tudo e toda a novidade que está por vim. Do contrário, quando alguém vai por conta própria, a pessoa leva alguns meses ou anos para se preparar, juntar dinheiro e dia após dia se acostumar com a ideia de viver em outro país por um período de até um ano. 

Quando soube da notícia tinha apenas uma certeza: economizar todo o dinheiro que entraria na conta corrente. Não tinha uma estimativa de quanto gastaria com todo o intercâmbio, quanto era a hospedagem, o transporte, o custo de vida. Na realidade, eu sequer entendia o dinheiro da Colômbia antes de viajar, com seus infinitos zeros ao final dos preços. Por isso, busquei economizar ao máximo, abrir mão de alguns gastos não tão importantes no momento.


Sabemos que apenas o valor da bolsa recebido pelo Programa Ibero-Americanas pode não ser suficiente dependendo do país para qual cursará o Intercambio. Na UERJ, acredito que a única opção de país para esse programa continua sendo (ou sempre será) a Colômbia. Cada universidade do Rio tem apenas uma opção de país. 

Algo de grande importância foi a UERJ ter custeado as passagens aéreas e seguro saúde.  Então, quanto a isso fiquei despreocupada, pois a parte burocrática da solicitação da passagem e do seguro é toda resolvida pelo próprio DCI. Para mim, eles deram a opção de escolher as datas de embarque e de regresso, baseadas na carta de aceitação que recebemos pela Universidade do país que iremos estudar. 

Acredito que o essencial antes de se candidatar a intercâmbio é: 

- retirar passaporte;
- solicitar ao curso de idiomas um certificado ou diploma de conclusão;
- verificar se todas suas vacinas estão em dia, se o país para qual se viaja tem a obrigatoriedade de alguma vacina em especial e retirar o Cartão Internacional de Vacina;
- fazer um check-up médico geral antes do embarque;
- fazer uma declaração válida e autenticada no cartório de um representante legal seu no Brasil, alguém que responda por você enquanto você não estiver aqui. Essa pessoa tem que ser de confiança, pois você dará a ela qualquer direito de decisão seu. Isso é importante caso você precise trocar datas de passagens no aeroporto, resolver assuntos burocráticos que só poderiam ser resolvidos por você e no Brasil, entre outros;
- pesquisar muito sobre o país que irá fazer intercâmbio e buscar referencias com outras pessoas que já estiveram por lá;
- verificar de que forma irá movimentar o seu dinheiro no país, quais bancos existem e a melhor opção, se haverá muitas taxas em cima do valor do saque. 

Eu, por exemplo, fiz o cartão internacional de viagens pelo banco Itaú (Global travel – American Express), o que é muito útil e tem menos taxas, e fiz o desbloqueio do cartão internacional do Santander para saques internacionais. Lá na Colômbia não existe o banco Santander e Itaú, então tive que verificar a bandeira do cartão (se é Visa, Mastercard, American Express) e os caixas eletrônicos válidos para essas bandeiras. Para quem vai viajar para a Colômbia tem a opção dos bancos Davivienda e Bancolombia. Além disso, é importante fazer o desbloqueio e habilitar o seu computador para realizar transações on-line pela internet e atualizar todos os seus dados com os bancos que irá realizar essas transações. Tive um problema sério quando precisei formatar meu computador durante o intercâmbio, pois meus dados no Santander não estavam atualizados, faltava o meu e-mail, e o Santander me informou que quando se está em outro país, a única forma de você habilitar o seu computador é por e-mail. Verifique tudo isso antes do embarque para não correr o risco de não poder movimentar o dinheiro fora do país.

Além desses itens, há outros como: retirada do visto, hospedagem, carta de aceitação da faculdade no exterior, entre outros. Para a retirada do visto é importante verificar se há no Rio de Janeiro um consulado geral do país. No meu caso, eu tive que enviar toda a documentação e passaporte para São Paulo e contratar uma empresa para que fizessem a entrega do visto aqui em casa. Você só poderá solicitar o visto quando estiver com a carta de aceitação da Universidade que irá cursar intercâmbio. Não sei se é necessário em todos os países, mas no caso da Colômbia assim que você entra no país é necessário registrar na Migração a sua entrada. É dizer, eles vão anotar e carimbar em seu passaporte a sua entrada e toda vez que sair e entrar no país será carimbado também.  Alguns países têm a obrigatoriedade dos estrangeiros que ficaram mais de 90 dias pagarem uma taxa ao sair do país em definitivo. Na Colômbia não precisei pagar essa taxa, pois viajei ao Equador e ao ingressar no país eles carimbaram de novo essa entrada, portanto contabilizava menos de 90 dias. 

Uma dica importante é verificar se o país para qual se viaja tem alguma política de impostos. Na Colômbia soube que Governo reembolsa o imposto IVA ao estrangeiro quando sai do país. Porém é válido para alguns tipos de produtos e serviços. Para solicitar o reembolso você precisa guardar todos os comprovantes de compras no qual vem especificando o tipo de produto, o valor e o valor calculado do IVA, mas para isso tem que ser apenas compras realizadas no cartão de crédito. Nesse caso, é interessante fazer compras com os cartões internacionais de viagem (como o Global Travel), pois ainda que seja utilizado como um cartão de débito (você parcela em apenas uma vez) é valido nesse caso como cartão de crédito, além de não ter anuidade e nem IOF. 

Acredito que além desses itens, há muitos outros, pois cada país pode ter algo novo para ser acrescentado. Por isso a importância de pesquisar muito sobre o país que irá fazer intercâmbio e viajar com pelo menos 15 dias a um mês antes do início das aulas na Universidade no exterior. Desta forma, você poderá buscar com calma um alojamento, verificar com a Universidade se há referencias de repúblicas, apartamentos para alugar. Além disso, é bom você escolher muito bem as matérias que irá cursar e verificar se elas podem servir para serem substituídas por matérias similares na UERJ. Uma dica: caso queira aproveitar bem o país e viajar a outras cidades além de estudar, não escolha um número alto de matérias para cursar. As faculdades podem ser muito exigentes quanto a trabalhos, apresentações, notas e conteúdo. Não rola  morar em um outro país por seis meses e não ter tempo de conhecê-lo com calma e da melhor maneira, não é? Portanto, aproveite muito essa experiência, dia após dia, intensamente! :)




quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Hasta pronto, Colombia! :')




Gracias Colombia por esa experiencia inolvidable, por hacerme conocer personas y lugares increíbles, por darme los 6 meses más felices y locos de mis 22 años de vida. ;) Escribo con todo el corazón y con los ojitos que ya quieren llorar. Jajajaja :’) Medellin, que rico vivir por aquí, que feliz yo fui por elegir esta ciudad para ser  mi casa. ;) 

En esos últimos meses viví un mix de sentimientos y ahora me viene la nostalgia, la alegría de pensar en todo que me pasó. Lloré, sonreír… de tristeza, de “saudades”, de felicidad, con ganas de volver a Brasil, con ganas de quedarme un rato más acá.  Estoy segura que maduré unos 50 años con este intercambio Jajajaja. Vivir sola y hacer intercambio es algo que sólo quien pasa lo puede entender. Es salir debajo de alas de los papás y volar con las tus propias. Volar con los ojos y corazón abiertos para el mundo que ahí está, esperándote para vivir todas las experiencias posibles (e inimaginables). 

Antes de venir, pensé en desistir del intercambio. Tuve miedo, pensé si era capaz de vivir lejos de mi país unos meses, si sería bien recibida en este país, en la Universidad, por las personas, como sería con el idioma. Llegué a Medellin sin saber lo que me esperaba y ahora regreso segura que fue la mejor aventura que podía elegir. 

Esa no es una despedida definitiva. Espero volver a este país que me ha hecho tan feliz (y dramática, y melancólica jajaja). Espero ver otra veces más a todos que conocí en esta ciudad. Colombianos, mexicanos, alemanes, brasileños… sea en Colombia o cualquier otro país. Esta experiencia no termina hoy, ella seguirá por toda mi vida, en mis recuerdos, en mi memoria, en mis fotografías, en el corazón. 

Agradezco a todos que estuvieron  y disfrutaron conmigo esa experiencia loca, pero increíble, llamada intercambio. :’)

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Pásalo bien y pare de sufrir...



Há exatos cinco meses eu entrei num avião que mudou o rumo da minha vida. Na bagagem vinha muita ansiedade para o novo que me esperava, receio de não me adaptar a uma nova cultura e muita, mas muita, vontade de voltar ao Brasil com ótimas histórias.

De pronto posso dizer que um sonho foi realizado. O quanto eu quis fazer intercambio poucos sabem. Com aperto no coração continuo dizendo que para o sonho chegar ao seu fim falta menos de um mês. Não que eu esteja me lamentando ou algo assim, pois, é claro, que saudades do Brasil, da família e dos amigos! Mas acho natural sentir esse aperto no peito em saber que algo que você sempre quis e conseguiu está chegando ao seu final. Que duro esses sonhos com data de validade!

Juntando a realidades dos fatos posso dizer que nem todos os meses de Colombia foram só sorrisos, alegrias e bons momentos. Quantas vezes eu já chorei por ter medo de enfrentar algo, quantas vezes eu me senti triste por estar longe de casa e da família, quantas vezes eu tive preguiça de ir ao supermercado e de lavar roupas. Rsrs E tiveram muitas outras “quantas vezes” e muitos momentos pelos quais passei e não desejaria a ninguém mais. Isso tudo, sem exceção, me fez perceber que posso ser forte e dura quando necessário, que manter a calma e ficar calada pode ser, de vez quando, uma solução e quanto ouvir as pessoas fazem bom ao seu coração também.

Algo que me fez muita companhia durante esses dias de intercambio foi a música, o sons, o ritmo. Sempre que me sentia sozinha e com vontade de chorar, colocava alguma música preferida ou alguma nova para ouvir. Quando sentia saudades do Brasil, colocava para ouvir uma Bossa Nova, um MPB, um pagodinho e até um funk de leve.  A música me acompanhou nesses meses e foi uma ótima companhia. Dediquei músicas a pessoas, pensei em algumas quando a escutava, relacionei muitas delas a momentos importantes do intercâmbio.  Ouço uma música e me vem a lembrança do lugar e com quem estava. Posso dizer a quem me perguntar, “quando eu ouço essa música, me lembro de estar com você aqui, nesse tal lugar”.

Outra que desde sempre me acompanha, é a minha inseparável câmera e todas as fotos que consigo com ela. Quando não tenho nada o que fazer, começo a ver algumas fotografias antigas, do início do intercambio, das viagens, das pessoas que já passaram pela Colombia e agora já estão de volta a suas realidades, a seus países de origem. Me dá nostalgia, me dá saudades, me dá vontade de chorar e querer voltar atrás. Mas não, não dá mais. Tudo que eu fiz, tentei ao máximo aproveitar os segundos.

Sinto que esses cinco últimos meses da minha vida foram os meses mais intensos de toda a minha existência. Foram cinco meses bem aproveitados, para ver paisagens incríveis, conhecer lugares e pessoas inesquecíveis. Foram os meses que mais “mix” de emoções eu tive, passando da gargalhada espontânea e incessante ao choro que me perguntava de onde vinham as lágrimas.

Por último, digo que se eu pudesse faria tudo isso de novo! Mudando uma coisinha aqui e outra alí, mas nada muito exagerado. Eu faria tudo e viveria isso tudo de novo, feliz da vida. ;) Como não é possível, as palavras, meus contos, meus textos, me fazem reviver isso tudo. Cada momento que passei e que ficaram em mim, em minhas lembranças, para sempre (e depois de sempre).

Colombia, não quero deixá-la, mas sei que a vida tem que seguir... :’(
Agora é aproveitar mais e mais os dias que ainda me faltam. Intensamente.
"Pásalo bien y pare de sufrir..."

sábado, 1 de dezembro de 2012

Inevitáveis



Despedidas são sempre inevitáveis. ;)


É difícil saber que tudo isso aqui tem dia e hora para terminar, como uma data de validade que dentro de uns meses está prestes a vencer. E como cada um tem sua data de partida, a despedida é divida em infinitas vezes e isso, de alguma forma, te faz pensar quando será a sua vez de dizer um "hasta luego" e voltar a sua vida, a sua realidade, a sua rotina. 



Depois de um tempo, de uns meses, de uns dias, todos seguirão seus rumos, fechando ciclos para iniciar outros. A vida é assim, e, assim mesmo, ela é incrível. ;)


Publicado em 27 de novembro em minha página no Facebook.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Intensamente, repito.



Logo, logo, três meses. Três meses de distância, de saudades, de vontade de querer voltar, de vontade de querer ficar. Vontade de não querer pensar no tempo que voa e que quando voa percebo que por aqui estou de passo. De passo em uma cidade que não é minha, mas sinto como se já fosse. Mas, ai... que saudade do Rio! Que saudade do Brasil!

Em meio a tantos pensamentos, não sei ao certo o que definir aquilo que sinto. Depois de esses três meses me sinto como se já estivesse me despedindo de Medellin. Por quê? Ainda me restam alguns meses. Fico triste. Fico feliz. Penso, penso e penso. E choro. E rio. E quero voltar. E quero ficar. E quero ficar mais.

Mas, percebo, minha realidade não é aqui. Minha realidade está lá no Rio. Aqui estou de passo, repito a mim mesma. Para que se importar tanto com isso? Para que pensar tanto nisso? Não pense. Viva somente. Intensamente. É o que se está fazendo?

Tantas situações cotidianas, tantas experiências, tantas impaciências. Dias de “inferno” astral? Dias de “contribuição” do universo?  Aqui sou eu e eu somente. Já tive que ser firme, enfrentar de cara, não fugir da raia. Não desistir. Aqui sou eu e o mundo. Já tive que dançar todos os ritmos, aprender palavrões colombianos, já tive que (tentar) parar de sorrir para não me doer a barriga. Já sonhei. Sonhei só que não se realizou. Sonhei e, sim, realizou e está se realizando. Aqui estou. De viagem, de passagem, de saudade. Eu quis. Eu sempre quis. Não a tristeza. Não os choros. Ou consequências. Quis os risos, sorrisos, gargalhadas. Não se importe. Viva. Intensamente, repito. 
E sorrio.


Pensar:


E quando o dia não passar de um retrato
Colorindo de saudade o meu quarto
Só aí vou ter certeza de fato
Que eu fui feliz
O que vai ficar na fotografia
São os laços invisíveis que havia
As cores, figuras, motivos
O sol passando sobre os amigos
Histórias, bebidas, sorrisos...


Fotografia - Leoni


domingo, 16 de setembro de 2012

Longe de casa, há mais de 4 semanas...


Colombia, te quiero!

Amanhã, dia 17 de setembro, faz um mês que estou longe do conforto e aconchego do meu lar. Não que aqui eu não tenha, mas estar ao lado dos mimos da mamãe é sempre melhor. Ela me disse: “Filha, parece que você está um ano longe de casa!”. Risos. Sempre dramática. Deve ser por isso que tenho esse jeitinho todo dramático de ser (também).



Falemos, então, do primeiro mês longe de casa. Fácil? Não, de longe não está sendo fácil. Rss Mas, gratificante? Isso com toda a certeza que há de existir. Quando se está longe de casa você se depara com inúmeras coisas que antes não ligava se eram ou não feitas por você, como, por exemplo, a roupa lavada quase todos os dias, o almoço fresquinho quando chega da faculdade... Agora, tem que se pensar nisso e em tudo isso. Hahaha  

Brincadeiras à parte, devo dizer que estar a cada dia longe de casa é uma nova emoção, uma nova experiência. A Colômbia está me fazendo muito bem! E não, eu não estou vendo violência gratuita pelas ruas, armas em cada canto ou pessoas me oferecendo drogas nas esquinas. Não, meu amigo, a Colômbia é não é apenas aquilo que vemos nos jornais, na televisão. A Colômbia se faz de cores, sabores, ritmos, pessoas, cultura!




Guatapé - Colômbia


Todas as saídas, passeios são sempre recheados de diferentes nacionalidades, pensamentos, culturas. Cada qual com sua bagagem de conhecimento, prontos para abri-las e compartilhá-las com as pessoas ao seu redor.

Ao pensar nos dias que já se passaram vejo quantos acontecimentos inusitados, tensos, engraçados e incríveis já ocorreram. Vou aprendendo a lidar com as emoções, com as palavras que me escapam em determinados momentos, com as frases que não compreendo, com os demasiados “Cómo? Qué?” que passam por mim. Ainda, com as diversidades, a não se guiar pelos estereótipos...somos muito mais que apenas um palavra, ou duas, ou três...Somos aquilo que vemos, ouvimos, aprendemos, experimentamos e, acima de tudo, aquilo que compartilhamos com as outras pessoas. 

Vejo que há muito por aí para vermos, sentirmos, experimentarmos e estar em outro país, às vezes tão parecido e tão diferente ao meu, me faz sentir parte dessa troca. Saudades? Claro. Mas, se perguntarem se quero voltar nesse momento para o Brasil, diria que não, não por agora.  Ainda há muito que compartilhar. Ainda tenho muito o que aprender. Eu quero isso. E, de verdade, acho que sempre quis e esperei. ;)


Bloco 12 - Universidad de Antioquia
Um professor da Faculdade deu uma missão aos alunos: a cada aula trazer algo diferente para compartilhar com os demais. Ele nos disse que alguém que passa uma semana sem assistir a um filme novo, sem ouvir uma música nova, sem conhecer uma pessoa diferente ou sem ir a algum lugar inusitado, passa uma semana em branco. Temos tão pouco tempo para preencher nossas páginas. O tempo passa e a gente nem percebe.

Por esse e por outros tantos motivos, quero aproveitar ao máximo cada dia aqui na Colômbia.  Quero ter diferentes experiências, conhecer pessoas fantásticas, experimentar frutas e comidas seja doces ou salgadas, ou a mistura desses dois sabores, que é o que vemos normalmente por aqui. Rsrs. Quero ir a lugares inusitados, dançar todos os ritmos (e fatalmente pagar mico dançando todos eles...) hahahaha




Piedra del Peñol - Guatapé

Assim é a vida. E é assim que ela se torna incrível.



Pensar:


Dentro dos meus braços os abraços hão de ser milhões de abraços
Apertado assim, colado assim, calado assim
Abraços e beijinhos, e carinhos sem ter fim


Tom Jobim - Chega De Saudade


terça-feira, 21 de agosto de 2012

"Gente, tô na Colômbia"!




Disse um “até breve” para o Rio de Janeiro na última sexta-feira. Sai de casa bem cedinho, antes de o sol nascer. Entretanto, até chegar ao aeroporto, ele resolveu dar o ar de sua graça para mim e se despediu encantadoramente. 

Nascer do sol - Rio de Janeiro
A ideia de sair de casa e passar uns tempos longe me veio ali, na hora em que minha mãe me deu um abraço apertado e pediu para eu me cuidar e ter muito juízo, coisa de mãe, não é? Rsrs O lado bom é que, por mais longe que nós estejamos, a internet, o blog, o facebook, o skype, ajuda a não me sentir tão longe dos meus amigos e da minha família. É claro que a internet não substitui a pessoa ao seu lado, te olhando nos olhos, o som gostoso das gargalhadas....nada disso. Mas, de alguma maneira, ela não deixa você se distanciar daquela pessoa querida. 



Conexão - Bogotá
Peguei o vôo às 8h40 da manhã de sexta, porém teria que estar no Galeão com no mínimo duas horas de antecedência. Meu vôo ia do Rio direto para Bogotá e de Bogotá tive que fazer uma conexão para a cidade que irei morar nos próximos meses, que é Medellín (ou meudedin para os íntimos). O vôo não poderia ser mais tranquilo.Ouvi músicas, vi dois filmes, dormi... hahahah Mas, de fato, foi cansativo. Afinal, foram mais de 7 horas num avião. Se calcular pelo horário do Brasil, sai de casa às 5h30 e cheguei em Medellín às 19h00. Como desânimo não combina muito comigo, tratei de fazer alguma coisa. Então eu e meus companheiros de quarto fomos comer um podrão colombiano (hamburguesas rsrs). E sobrevivi. Aliás, ele era muito saboroso. Hahaha




Medellin - uma cidade cercada de montanhas
No dia seguinte, sábado, damos uma volta ao redor da universidade em busca de apartamentos para morar e fechamos  a cinco minutos da faculdade para morar. O hostel que estou passando as primeiras semanas é bem legal, mas não dá para morar, pois é um pouco longe da universidade e também a diária não compensaria. 

Estação - Metrocable
Metrocable

 Depois de dar uma volta pela área da Universidade, fomos nos "aventurar" nos metrocable, que nada mais é que um metro em forma de teleféricos que dão acesso as comunidades daqui. É realmente enorme. Dá uma tontura, uma vertigem quando olha para baixo. hahaha  Lendo sobre, encontrei um matéria sobre as comunidades pacificadas do Rio de Janeiro e o teleférico do Complexo do Alemão. A matéria contavao que o governo do estado do Rio se "inspirou" nos moldes de Medellin.  Por aqui a coisa é gigante, o metrocable possui umas quatro estações, passando por cima das montanhas e você sente até a altitude. hahaha


Após nos aventurarmos no metrocable, resolvemos descer na estação do estádio aqui de Medellín para ver se conseguiríamos assistir a uma partida de futebol, um clássico tipo Flamengo e Vasco. O lado de fora já deu para ter uma ideia de como seria. Hahaha  Mas quis arriscar e foi bem divertido. O lado tenso da história foi quando o jogo acabou. Os torcedores ficaram agitados na saída do estádio e a policia local já estava formando um batalhão do lado de fora. Hahahaha  Tivemos que voltar para o hostel a pé e pegando uma chuva marota. (ainda bem que era perto) hahaha

Aqui é quase certo cair uma chuvinha ao final do dia e a temperatura da cidade cai bastante. Além disso, tem um vento gostoso e mesmo quando o sol está mais forte, você não sente muito a temperatura. Só quando esta nos onibus ou metrô...parece que eles não curtem uma janela nesses transportes. hahahahahah

Os primeiros dias foram com fortes emoções.  Rss E com toda a certeza, novas virão por ai...e vou contando para vocês. ;) 






Para ver mais fotos, vá até meu Flickr: flickr.com/photos/actitud_s2/

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

O frio na barriga manda lembranças...

Última semana de Brasil
última semana de Rio de Janeiro 
(pelo menos até final do ano rsrs).


Durante os últimos dias não parei para planejar muito bem a viagem e pensar como será a minha vida nos próximos 5 meses. Fiquei mais preocupada em preparar a documentação para a emissão do visto, enviar para o consulado em São Paulo, ligar todos os dias para saber como está o andamento e finalmente remarcar a passagem, visto que soube a documentação não chegaria hoje, dia 13 de agosto, dia que, até então, eu estaria indo rumo a Colômbia. Fico agora aguardando a documentação enfim chegar aqui em casa.


Pensar que dentro de alguns dias eu estarei longe de casa não me assusta, até o momento. Rsrs Mas sei que a "ficha" pouco a pouco vai caindo. Acredito que o maior receio, pensando no hoje, antes do embarque, é estudar em uma nova Universidade, mesmo que por apenas um semestre de estudos. É como se eu fosse novamente uma caloura indo para o seu primeiro dia de aula. Aquela mesma sensação e frio na barriga que tive ao entrar para Uerj e ir para o primeiro dia de aula (leia-se trote, rsrs). É o novo que vem. É um novo que eu realmente não sei no que dará, mas, com toda certeza, estou ansiosa para descobrir.

Espero que eu possa aproveitar bem esse semestre, que faça boas amizades com os novos colegas de classe e que tenha excelentes professores (pacientes). hahaha


"Moro num país tropical, abençoado por Deus..."
Outro fato curioso é que quando você sabe que estará indo para um novo país, você passa a observar o seu país por uma outra perspectiva. Os costumes, o dia a dia, as músicas, as pessoas, tudo. É como se você se tornasse um turista na sua própria cidade. E isso também é maravilhoso. 







Pensar:



Viajar! Perder países! 

Ser outro constantemente, 
Por a alma não ter raízes 
De viver de ver somente! 
F. Pessoa




domingo, 29 de julho de 2012

Novo destino e muita ansiedade na bagagem



De vez em quando você precisa ter um pouquinho mais de paciência e saber esperar por algum momento. Eu sabia que mais cedo ou mais tarde esse momento chegaria ... apenas não sabia como.




Assim que entrei na faculdade meus planos era estudar aquilo que eu gostava e conseguir um estágio para logo colocar em prática. Entrei e tão logo isso aconteceu. Não sei se por sorte ou destino, pelo menos até então, acredito que estou na profissão que quero seguir daqui pra frente e isso consequentemente atraiu muitas outras coisas.


Com o passar dos períodos na faculdade fui criando metas para o futuro e construindo pouco a pouco novos sonhos e desejos. Mudamos a nossa percepção de futuro e percebemos, também, que certas coisas não são assim tão simples quanto pensávamos há 10 anos. Provavelmente quando eu tinha uns 11 anos pensava em me casar até os 21 e ter filhos até os 23. Como mudou...  Talvez o destino não reserve isso para mim, não agora, não nessa idade. Talvez o meu “hoje” aos 21 anos seja para pensar em como tem muito que aproveitar. Em como há muito o que conhecer lá fora. E que observar apenas um mundo já não me bastava. Quis viajar, tirar as “lentes” da minha cultura que me censurava de entender as outras. 


Quis fazer intercâmbio. Mas cadê o dinheiro? 
Eis que com um pouquinho de sorte e ajuda do universo, eu conseguirei - pensei. E Consegui.


Desde que coloquei na cabeça a ideia de fazer intercâmbio, não importasse para onde fosse, tratei de correr atrás de bolsas de estudos. Na Uerj, infelizmente, as oportunidades são mais restritas para o meu curso. Até mesmo o Governo com o programa Ciências Sem Fronteiras “privilegia” outros cursos. Mas vamos correr atrás. Não é? Já havia me inscrito duas vezes no Programa Fórmula Santander, uma vez no Ciências Sem Fronteiras e duas no Programa de Bolsas Ibero-americanas, também do banco Santander. E na última tentativa eu consegui. Fui contemplada com uma bolsa do programa de bolsas Ibero-americanas! 


Ao ver o resultado fiquei por um momento imensamente feliz e em outro momento quase em desespero. Rsrs É engraçado que quando você conquista algo que tanto queria, a ficha cai lentamente e você custa a acreditar. Na realidade, acho que até o momento ela não caiu completamente. Talvez o novo assusta num primeiro instante. 


O mais surpreendente, para mim e para todos, é o destino: Medellín, Colômbia. Quando falo para onde irei, a pessoa por alguns segundos abre bem os olhos com ar de espanto e solta um inusitado “que diferente!”. Rsrs Alguns se assustam e me perguntam o porquê do país. E outros já estão falando por ai que eu selecionada para entrar nas FARC. Divirto-me com esse fuzuê todo! Hahahaha Esse programa de bolsas contemplava 5 alunos da UERJ e a opção de destino era, no caso da UERJ, a Colômbia. 


Vou viajar no próximo mês, por volta dos dias 13 a 20 de agosto. Nem preciso dizer que a ansiedade está a mil. Nunca fiquei tanto tempo longe de casa, ainda mais sozinha. Terei que aprender a me “virar” melhor. Usar de todo o meu espanhol, rsrs. O intercâmbio vai durar uns 5 meses, rapidinho! Mas, dependendo de quando começar minhas aulas aqui na UERJ, eu pretendo passar por outras cidades além de Medellín e, quem sabe, passear também por outros países até voltar de vez para o Rio. ;) 


Novidades é o que não me faltará! =]
A felicidade fez uma visitinha para mim e resolveu ficar por um longo tempo. 




"Living young and wild and free" ;)




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