sexta-feira, 19 de maio de 2017

Coragem ou Loucura



Oi, moço. Espero que esteja tudo bem por aí. Agora são quase quatro e meia da madrugada de domingo e já tomei algumas bebidas, confesso. Acho que você só irá acordar daqui a umas 5 horas e sabe-se lá quando lerá esta mensagem. Sabe aquele novo ditado do “se beber, não digite”? Pois bem, infringi a Lei da Tecnologia e pode até ser que eu me arrependa desta mensagem quando o sol nascer. Não, eu não gostaria de ficar “pagando paixão”, como alguns dizem, tampouco ser mal interpretada com essa onda sentimental. Apenas criei coragem, ou loucura, dependendo da perspectiva de análise, de lhe dizer que gostei de sair com você, gostei do sabor do seu beijo, de como suas mãos entrelaçavam às minhas. Gostei de receber aquele cheiro no cangote, do seu jeito respeitoso de brincar com as minhas curvas. Não sei como dizer, mas gostaria de vê-lo novamente. Gostaria de falar sobre a vida, sobre a loucura que é minha playlist no Spotify, sobre aquelas histórias que só contamos quando confiamos no ouvinte. A questão é: você toparia ou viria com uma nova desculpa?

domingo, 24 de abril de 2016

huracán



Nunca criei expectativa. Não nessa relação. Sei bem a diferença entre mim e você… sei que ainda que não pertenço a esse seu mundo. Mas por teimosia, ou por vontade de sofrer, vai saber…,eu me apeguei. E a ideia de ter que me despedir nos últimos dias me invadiu como se você fosse mudar de planeta. Toda a minha vida foi assim. De alguma forma ou de outra eu precisei me despedir, como as pessoas pessoas que marcam sempre estivessem de passagem. Seja por causalidade do destino ou por vontade. A parte mais difícil não é a despedida, mas saber que apenas a minha vida foi bagunçada, como se tivesse passado um furacão e que é difícil arrumar tudo de novo como se ele não tivesse passado por aqui.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Férias: Chile e Bolívia (Parte 2)

Essa é a segunda parte do roteiro da minha viagem ao Chile e a Bolívia. 
Leia a parte 1 também: acessar Parte 1.

RUMO A BOLÍVIA - UMA AVENTURA NUM 4X4



Mapa do roteiro 


Durante muitos anos um dos meus maiores desejos de viagem era conhecer Salar de Uyuni. Ficava encantada com as fotografias daquele lugar e de todo o trajeto feito no tour. Além de achar incrível, eu tinha também muito receio de encarar essa viagem sozinha. Quando digo sozinha é viajar sem algum amigo mais íntimo, embora durante o trajeto você faça muitos novos amigos. O passeio ao Salar não é de fato uma viagem lá muito fácil de se fazer e só encara quem está realmente disposto a se aventurar no meio do nada, mas cercado de paisagens que mais parecem pinturas de tão surreais.

Antes de viagem alguns nos alertaram muito sobre o frio e altitude desses lugares, seja no Atacama ou na Bolívia. A média de temperatura à noite eram sempre abaixo de 0 grau. Um grupo de brasileiros que conhecemos no hostel nos disseram para nos preparar para -13 graus de temperatura em Uyuni. Isso mesmo. em um sinal de menos antes do 13. hahahaha Imagina mim, moradora do Rio de Janeiro, que acha que 16 graus já é frio pra caramba enfrentar -13? Pois é, essa é a graça da aventura. Não saber o que nos espera, mas ter que estar preparado para tudo. Absolutamente tudo.  

O ponto da altitude é importante comentar, pois muitos não conseguiram passar muito bem com os seus efeitos. Eu, por exemplo, não senti absolutamente nada, nadinha. A altitude não me afetou em nada e é até curioso, pois morei em Medellin durante um tempo em uma altitude de um pouco mais de 1.500m, mas é relativamente baixíssima se comparar com a altitude do Deserto do Atacama, de aproximadamente 2.400m, e as maiores altitudes enfrentadas na Bolívia, de aproximadamente 4.500m. As pessoas que não se sentiram bem durante o trajeto disseram ter sensação de enjoos e dores de cabeça, para dormir  principalmente. O nosso guia nos orientou a dormir sempre com a cabeça em uma altura mais alta que a habitual para diminuir o desconforto com a dor de cabeça.

Folha de coca para mascar ou fazer chá.
Tendo em vista a possibilidade de desconforto por conta da altitude, vale se preparar e levar medicamentos para encará-la bem. Nós compramos um medicamento primo do Dramin chamado Mareamin. Ele serve para os enjoos e dores de cabeça, porém usei ele uma vez só, que foi em Santiago para subir o Valle Nevado. Ele deixa a gente meio lenta, mas me pareceu ser bom. Outra opção é comprar folha de coca que vende em várias vendinhas. Você pode mascar ela normalmente ou fazer o chá. Como me sentia bem, não precisei me medicar, mas aqueles que não se sentiam bem disseram que a folha de coca era de fato muito boa para aliviar os efeitos da altitude.

Há diversas empresas que fazem o tour ao Salar, tanto partindo da própria Bolívia quanto de San Pedro de Atacama. Partindo da Bolivia é obviamente mais econômico, mas como estávamos em San Pedro e nossa passagem era de Calama preferimos fechar um bate e volta para a cidade. Até tinha pensado na possibilidade de fechar o tour de 2 noites e 3 dias e terminar o tour na cidade de Uyuni e de lá ir pra alguma outra cidade, mas percebi que as distâncias da Bolívia eram muito grandes e as estradas nada convidativas.  Dessa forma, fechamos o tour de 4 dias e 3 noites com a empresa Cordillera Traveler, que parte de San Pedro de Atacama e retorna na manhã do 4º dia.

O tour pela Bolívia não foi muito econômico. Na realidade pecamos ao fechar o tour pela internet antes de ir, pois quando chegamos a San Pedro vimos que indo diretamente na agência acharíamos passeios bem mais baratos do que pagamos. Entretanto, achei que seria melhor chegar com esse tour garantido. Eu queria muito fazê-lo e precisava de datas fechadas para me programar para os demais passeios que eu faria em S.P. de Atacama. Pagamos o valor informado no site da Cordillera Traveler, de US$ 220. Antes de fechar o tour fiz algumas pesquisas de agências e vi que a Cordillera Traveler era uma das mais recomendadas, mas é claro que não podemos esperar hotéis e refeições luxuosas de qualquer uma das agências.

13 DE SETEMBRO - QUE SE INICIE O TOUR

O dia 13 começou cedinho, com frio na barriga. No dia anterior nos preparamos para encarar esses 4 dias no meio do nada. Compramos algumas coisinhas pra beliscar no carro, galão de 6L de água, papel higiênico. Todos devem fazer seu kit pessoal de sobrevivência, rsrs. A van da Cordillera passou umas 7h30 para nos buscar no hostel. Na van já tinham outras 4 pessoas e no decorrer do trajeto soubemos que éramos todos brasileiros. Imagina isso? Seis brasileiros. hahahha

A primeira parada foi na imigração do Chile. Descemos lá e fizemos o processo de rotina de verificar e carimbar o passaporte. Senti que a imigração chilena é bem “rigorosa” nesse sentido, pois ela de fato fiscaliza você e a foto para ver se coincidem. Eu estou outra pessoa na foto do meu e a moça que me atendeu olhou pra mim e para foto umas 3 vezes. hahaha
“Bem diferente, não?”, me disse ela. Dei um riso meio sem graça e disse que já iria atualizá-lo em breve (ele vence em outubro do próximo ano).Feito isso pegamos um onibus que nos levou até a fronteira com a Bolívia.

Ao chegar na fronteira com a Bolívia atingimos o equivalente a 4.400 metros acima do mar. Ou seja, mudamos em uns 30 minutos mais de 2000 metros de altitude.  Doideira, não? Chegando lá fazia um frio bizaaaaaarro! Não tinha me dado conta no lance da altitude ainda, mas a temperatura era tão baixa por conta disso também, além de ventar bastante e diminuir a sensação térmica. Descemos do onibus e passamos pela imigração da Bolívia, novamente fiscalizam o passaporte e carimbam. Imigração da Bolivia é praticamente uma casinha simples no meio do deserto. Feito isso, fizemos uma parada e tomamos o café da manhã. Já havia um grupo grande nessa hora. Já não éramos apenas 6 brasileiros, tinham outros grupos por lá também. A Cordillera Traveler inclui no seu pacote todas as refeições, isso é dizer, café da manhã, almoço, lanche e janta. Nada muito luxuoso não, mas bom o suficiente para poder nos alimentar bem. Para aquelas pessoas que são mais difíceis com a alimentação eu aconselho a levar coisinhas para beliscar e os que são vegetarianos devem avisar antes na agência, pois possuem um cardápio diferente.

Nessa parada também foi o momento de trocar de veículo e ficar num 4X4. Cada carro fica com 6 pessoas e o grupo de brasileiros ficou junto. Acho que a empresa de fato selecionou a gente para que ficássemos juntos. O outro grupo era formado por 2 ingleses, 1 alemão, 1 chilena e 2 suiças. “O grupo dos gringos”. O alemão recebeu um apelido especial, mas acho que não vale mencionar aqui. hahahaha

Que comece a aventura! Desde o inicio do trajeto já fomos brindados com uma paisagem linda, tendo como destaque principal o vulcão Licancabur, o meu queridinho. Ele vai aparecer em diversas fotografias e acredito fazer parte tanto do Chile quanto da Bolívia, embora oficialmente seja chileno. No primeiro dia de tour fazemos paradas em algumas lagoas, a Laguna Verde, Laguna Blanca e Laguna Colorada, passamos por um deserto boliviano chamado de Desierto de Dali que tem esse nome por conta de sua paisagem de formas surrealistas. Fazemos também uma parada nos Geysers de Sol de Mañana, que tem umas piscinas águas termais.

O mais incrivel desse passeio é a variação de paisagens ao longo do caminho. Num mesmo quadro a gente percebe a vegetação a nossa frente, com pajas ou alguma outra, logo a frente um deserto com uma lagoa lindissima, ao fundo uma cadeia montanhosa e no seu topo muito gelo. Que mistura mais linda é essa?

Lagunas Blanca, Verde e Colorada
A variação na cor das lagoas se deve aos minerais encontrados na água. A Laguna Verde, por exemplo, tem uma grande quantidade de arsénio e cobre em suspensão na água. A Laguna Blanca (branca) é composta basicamente por Borax, um tipo de sal hidratado de sódio e ácido bórico e a Laguna Colorada (vermelha) tem essa cor por conta de alguns sedimentos e pela pigmentação da alga que cresce lá.Todas elas são incrivelmente lindas. A Colorada foi a que mais me chamou atenção, pois nunca tinha visto uma laguna com aquela tonalidade. Vale ressaltar que a coloração das lagoas fica mais intensa dependendo do sol e do vento que bate na água.


Os Geysers eu tive a oportunidade de vê-los no Atacama e na Bolívia. Senti que os da Bolívia tinha um cheiro muito mais forte de enxofre e não tinha demarcações de caminho para que pudéssemos andar em segurança. Rsrs Quando visitei os Geysers del Tatio, no Atacama fui entender o quão perigoso é pisar naquele solo! hahaha Os Geysers são nascentes de águas termais que entram em erupção devido às altas temperaturas das rochas e lavas vulcânicas, expelindo um jato e vapor de água que pode chegar até 80 metros. Os Geysers só surgem em regiões que tiveram erupção vulcânica relativamente recente, por isso é um fenômeno que não existe no Brasil, pois  os últimos vulcões se extinguiram no período mesozóico, entre 245 e 66 milhões de anos atrás. Existem apenas 1000 geysers (aproximadamente) no mundo e são divididos em EUA, Rússia, Chile, Alasca e Islândia. O Chile é a terceira maior região do mundo com o Geysers del Tatio.

Geysers Sol da Mañana
Feito todos os passeios do dia fomos para o hostel localizado pertinho da Laguna Colorada para passar a noite. Chegando lá nosso grupo todo ficou em um quarto. Era chamado de “Hotel de Montanha”, pois logo ao fundo tinha uma cadeia montanhosa. Era no meio do nada...não sei nem como alí tinha energia elétrica. hahaha Vale dizer que não tem internet wifi em nenhuma parada. Apenas numa parada feita para o almoço e na cidade de Uyuni no último dia do passeio. Em ambos o wifi é pago, 15min a 1 hora. Ah, mais uma coisa. Na primeira noite não tem banho! D: rsrs Mas nada que te tire a vida, ok? hahaha

Chegando lá fizemos um lanche da tarde e fomos nos organizar no quarto. Uma hora depois o nosso guia já foi nos chamando para voltar ao refeitório para a janta. Comemos bem essa noite. Nesse hotel estávamos em 3 grupos, os dos brasileiros, dos gringos e dos velhinhos franceses. Sim! Velhinhos de 70 anos para cima! Velhinhos no meio do nada na Bolívia! Achei aquilo incrível e quero ter essa disposição quando chegar nessa idade. hahaha O cardápio deles era diferenciado. Com certeza pagaram muito mais caro que a gente. rsrs Tinha pacotes nessa agência que chegaram a mais de 2 mil dólares. Oi, né?

Nessa noite dormimos numa altitude de 4.500 metros aproximadamente. Uma altitude surreal para quem está no limite do mar, não? Mas por mais incrível que possa parece não senti nada, absolutamente nada, com essa altitude. Essa foi considerava a noite mais fria, embora eu tenha achado a última noite. Me enfiei no meu saco de dormir e por baixo das 50 mil cobertas e dormir muito bem. Alguns amigos de quarto não se sentiram nada bem durante a noite. Muitas dores de cabeça, enjoos, diarreia. Por isso eu reforço para irem preparados e com medicamentos e folhinhas de coca para o caso de se sentirem mal também. O importante é dormir com a cabeça numa altura mais alta que a habitual. Isso diminui um pouco os efeitos da altitude.

14 DE SETEMBRO

Acordamos na madrugada do dia 14, tipo 5h da manhã? rsrs Embora o dia anterior tivesse sido bem pesado, estava bem disposta. O segundo dia de tour passaria pelo deserto de Siloli, onde existe um conjunto de formações rochosas bem diferentes com erosão formada pelo vento, conhecemos algumas lagoas altiplanas e por último passamos pelo Salar de Chiguana, nada parecido ao de Uyuni.

Esse dia andamos bastante tempo no carro. Muito. Mesmo. rsrs Para aqueles enjoam com facilidade dentro de veículos é bom se preparar. Nesse percurso o motorista passa por pontos que eu nem sabia/imaginava que o carro pudesse passar. hahahaha Mas digo que, embora dentro do carro, nada perdemos para apreciar a paisagem e as mudanças que ocorrem com ela devido a altitude e temperatura.


A primeira parada num Mirador de Águas Calientes e vimos um espetáculo lindo da natureza às 7h30 da manhã. É absurdamente linda a paisagem com as fumarolas do vapor da água quente quando se encontra o ar frio. E para ficar mais lindo ainda tinham duas llamas que nem se importaram com a nossa presença por alí. Posaram para nossas fotos e tudo mais. Continuamos o passeio pelo Deserto de Siloli. Lá vimos as formações rochosas que mais pareciam árvores de pedras. São loucas e incríveis e o divertido é brincar nessas formações. Se arrisca? hahahah


Mais a frente (e muito mais tempo em carro...rsrs) passamos por vários tipos de paisagem e tivemos uma louca miragem ao final de uma. Vimos um mar, com ondas e areia. Um mar lindo no meio do deserto. Como isso, Brasil? Conforme o carro ia se aproximando o mar já ia se transformando em um lago (e tinhamos certeza de que era hahaha). Logo depois o lago já era um mini lago até não existir nada e sobrar só sal. Um pequeno salar no meio do deserto, salar esse chamado de Salar de Chiguana (foi uma dificuldade entender Chiguana do nosso guia. Só entendia Tijuana hahah). Para nossa supresa fizemos uma pequena parada em uma outra parte e tinha sim uma pequena lagoa, a Lagunda Honda.



O Salar de Chiguana é formado em uma depressão alimentada por pequenos riachos onde a água escoa das cordilleras e do Salar de Uyuni. Já está a uma altitude mais baixa, a 3.650 metros, e tem apenas 415 km2 (digo apenas porque o Salar de Uyuni tem 10.582 km²).

Dando continuidade ao passeio, por volta das 12h fizemos uma parada para o almoço. Uma parada bem estratégica, pois foi ao lado de uma lagoa lindissima chamada Chacorta. Onde mais a gente almoçaria com uma paisagem dessa? A comida era bem simples e sem luxo. Como já disse anteriormente, não comemos nada requintado, mas comemos muito bem.




Após almoçarmos fizemos uma caminhada até o outro ponto para ver a última lagoa do dia: Laguna Cañapa. Sim! São muiitaaaaas lagoas altiplânicas durante o trajeto. Cada uma mais lindinha que a outra. A Cañapa é alimentada por uma vertente de água de um cânion e tem fauna e flora andina. Nessa parte do trajeto ventava bastante. A gente percebia que não estava muito frio de fato, mas o vento era gelaaado. Na Cañapa vimos três espécies de flamingos. É incrível como eles não estão nem aí pra gente ali, observando-os. Acho que as únicas que estavam incomodadas na hora do almoço com a gente eram as gaivotas. hahah





Chegando ao fim de mais um dia de passeio, passamos uma ferrovia também. Não sei bem qual era o tipo de transporte, mas era de carga, possivelmente minério. O nosso motorista fez parada no momento certo. Conseguimos tirar fotos nos trilhos e logo vinha o trem. Sai correeeendo! hahaha Sacanagem.


Nesse segundo dia passamos a noite em um hotel de Sal. Sim. SAL! O chão era de sal, as paredes eram de sal, a estrutura da cama era de sal o chão era de sal. Rsrs O menos prático pra ser de sal era o chão. Queria andar de chinelos, mas era impossível! hahaha Nesse dia tivemos um lindo e gostoso banho de água quente, enfim. A jantar também foi uma delícia com direito a vinho chileno.



Na manhã seguinte acordaríamos bem cedinho para o último dia passeio e rumo ao tão esperado Salar de Uyuni. Na Bolívia nos informaram que havia uma diferença de fuso e tinha uma hora a menos que o Chile. Beleza, ajustamos nosso alarme para nos levantar as 4h30, já que sairíamos as 5h da manhã. Porém, todavia e entretanto, ajustamos a hora errada e acabamos acordando 3h da manhã acreditando estarmos certos. hahahaha Não sei o que ocorreu, no que erramos, só sei que só tinhamos nós acordados e o jeep nem estava sendo aquecido. Com isso, dormimos mais algumas horas até, enfim, ser o horário correto.

DIA 15 DE SETEMBRO - Rumo ao Salar de Uyuni


Acordar de madrugada tem seu ponto positivo e negativo. O negativo é que está um frio congelante! E o positivo é ver o quão incrivelmente espetacular é o céu. Aquele céu surrealmente estrelado. Temos a sensação que a qualquer momento podemos tocar as estrelas. É lindo, lindo. Nunca tinha visto um céu daquela forma em meio a poluição das grandes cidade. Pudera, né?  Devo dizer que a escuridão no meio do nada se torna menos escura, rsrs. O céu, com a lua e as estrelas ilumina o trajeto. Outro ponto positivo é ver o nascer do sol, a variação de tonalidade que ele traz na paisagem. E nesse dia, nascer do sol espetacular foi visto diretamente no meio do Salar de Uyuni. Alí, naquele momento, acho que de fato um desejo adolescente se tornou realidade. Vi sempre o Salar como algo quase intocável para mim, que levaria muitos anos para que eu pudesse visitá-lo. Mas não, foi numa viagem feita sozinha que eu tive o prazer de conhecê-lo. Em meio a todas as minhas reflexões, estive em sintonia com a natureza, dessa vez composta com muito sal.

Nesse nascer do sol foi o dia que eu senti mais frio. O maior frio que eu senti na vida! E eu me importei com aquilo? Óbvio que não. Precisava estar alí, sentindo toda aquela energia linda do sol nascendo. Ver o quão lindo é esse universo maravilhoso. Nada que uns pulinhos não ajudassem a espantar o frio. hahaha Estávamos abaixo de zero. E não era o vento que trazia essa sensação, pois não ventava. Era frio mesmo!


Ao longo do dia, com o sol esquentando o ambiente, a temperatura começou a subir. Chegou ao ponto de eu tirar o casaco, pois estava fazendo realmente calor. Essa mudança de temperatura nos deixava loucos. Tira casaco, coloca casaco, tira casaco, coloca casaco. hahaha

O Salar de Uyuni é o maior salar do MUNDO! Ele tem mais de 10.500 quilômetros quadrados e está localizado nos departamentos de Potosí e Oruro, no sudoeste da Bolívia. A formação de um salar é muito interessante e o de Uyuni foi formado pelo secamento do Lago Tauca. Esse lago foi formado devido ao derretimento do gelo das Cordilleras, dessa forma devemos dizer que a água do lago não vinha das chuvas, mas sim do gelo. Com esse derretimento, os vulcões que existiam foram totalmente ou parcialmente submergidas baixo d’água, formando ilhas. Por isso até hoje recebem esses nomes e no salar tem várias ilhas formadas por rochas vulcanicas de cores muito escuras e uma crosta calcária mais clara de restos de fósseis, alguns de algas marinhas. É bizarro ver em uma mesma ilha rocha vulcanica e corais.

Uma dessas ilhas se chama Isla Incahuasí (Casa del Inca), popularmente conhecida também como a ilha dos cactos gigantes. Assim como as outras ilhas, Incahuasí também é formada por rochas vulcanicas e fosseis marinhos. O curioso são os cactos e a flor Su Flor que floresce na ilha durante os meses de outubro e novembro. Não há água na ilha e mesmo assim a natureza sendo incrível faz surgir uma flor com fruto silvestre.


Na parada na Isla também fizemos o café da manhã (chocolate quente) e nessa parte tem bandeiras de vários países para tirarmos fotos. Não há como resistir. rsrs Logo em seguida fomos para o meio do salar para tirar as tão surreais fotos em perspectiva. Vou falar que não é nada fácil fazê-las. hahaha “Sobe mais, um pouco mais pra direito, não esquerda. Abaixa o pé, levanta a mão.” Click. Após o clique vem fotos maravilhosas e divertidas. *O* Nesse momento sabíamos que já era um ponto de despedida. O nosso roteiro já estava chegando ao fim.

Nossa próxima parada era na cidade de Uyuni, mas antes fizemos uma parada em um pueblito para fazer comprinhas. É tipo uma feirinha com vários artesanatos. Logo em seguida partimos e chegando a Uyuni deixamos nossas malas no escritório da Cordillera Traveler e nos despedimos do Pepe, nosso guia e motorista do percurso. Almoçamos por ali mesmo e na volta para o escritório soube que o grupo precisaria ser dividido. O grupo dos gringos ficou em 4 pessoas e eu precisei ir com eles durante o final do percurso. Mal imaginava que viria mais história por aí. Após a chegada de todos do grupo fomos com um novo guia para o hostel que passaríamos a última noite. Quando fizemos uma parada em um outro pueblito o nosso motorista notou que um dos pneus do 4X4 estorou. Foi ele fazer a troca pelo estepe. Ao finalizar tirou o macaco e puf…. o estepe também estava estourado. Ótima notícia para o fim de um passeio, não? Ele buscou por ali perto um borracheiro e para nossa sorte tinha um. Porém, até a troca do pneu e do estepe nos atrasamos por volta de umas 2h30. Isso para quem está cansado é muito tempo.

Chegando no hostel percebemos que aquele seria o pior alojamento de toda a viagem. Tinham outros grupos por lá, a janta não foi saborosa e tinha apenas um banheiro para todos. Nos dividimos nos quartos e fiquei em um quarto duplo dividindo com a chilena que veio no meu jeep. A noite foi fria demais! Não tinham muitas cobertas e o saco de dormir foi o que meu salvou nesse dia. Acredito que pelo cansaço consegui dormir bem e tive uma boa noite de sono. Na madrugada seguinte era o tempo de se arrumar, arrumar as malas e partir de volta ao Chile. Saímos bem cedo como de costume, ainda com a luz das estrelas. Foi um percurso de muito sono, mas a cada olhada pela janela entre um cochilo e outro eu via o sol saindo por detrás das montanhas e iluminando. Não havia melhor paisagem para a despedida de um tour que, embora teve seus perrengues, foi incrivel e inesquecível. :* Algo que levarei para vida.

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Férias: Chile e Bolívia - uma aventura deliciosa! (Parte 1)

Desde a definição das minhas férias eu sabia que o meu destino seria a América Latina. Muitos (muitos mesmo) vivem me dizendo que tenho que ir para os EUA ou Europa, quase como uma obrigação, que será lá que verei coisas e lugares incríveis, estarei em países preparados para o turismo, longe da loucura que é estar na América do Sul. Claro, não duvido disso, isso é mais que óbvio. Mas respondo hoje que ainda não. Ainda não será o momento de ir conhecer aseuropa ou os states. Vontade não falta...o que falta é o capital, rsrs. Brincadeira. Eu não acho que para ter uma viagem incrível eu preciso necessariamente ir para a Europa ou Estados Unidos. As pessoas precisam parar de desmerecer uma viagem que não seja para um país de primeiro mundo. As pessoas precisam parar de acreditar que somente a Europa ou Estados Unidos que farão suas férias mais inesquecíveis. São perfis de lugares diferentes, de pessoas diferentes, de tempo de vida diferentes. Eu amo a cultura latina e conhecer sua história a cada viagem me fascina cada vez mais. Acho incrível a forma de resistência de cada povo para sua cultura, mesmo após anos de colonização. Tenho 24 anos de idade, passei por 8 países latinos e sim, o Brasil, por mais que muitos não queiram aceitar/acreditar, é latino e precisamos exaltar a rica cultura e história de resistência desse continente.


Se eu pudesse definir essas férias em uma palavra seria: terremoto. rsrs Um terremoto de neve, de deserto, de sal, de frio, de calor, de estrelas, de aventura, de incrível.


Então vai aí um relato de viagem inesquecível, um terremoto de viagem pelo Chile e Bolívia. Vou separá-lo em três partes para a leitura. A viagem durou duas semanas, do dia 08 de setembro ao 22 de setembro de 2015. Ao final pretendo fazer uma lista com as principais dicas, assim como todo os gastos e resumo de viagem. :D Ao longo do texto fui colocando alguns links úteis, assim como valores aproximados em real, na cotação do dia.

Aproveita a leitura e qualquer dúvida é só perguntar.

ROTEIRO: [Parte 1] [Parte 2]

PRIMEIRO DIA, 08 DE SETEMBRO

Dia 08 de setembro estava lá marcado na minha agenda desde alguns meses. Por mais que eu tivesse me programado para a viagem, não sabia o que viria, não tinha a menor ideia do que me esperava. Confesso que estava meio tensa de ir para o meio do deserto. Era um destino cheio de dúvidas. Quando se viaja para uma região metropolitana você tem a certeza (ou quase certeza) de que será fácil a locomoção, encontrar lugares para hospedagem, fazer compras, restaurantes… mas quando seu destino é, além de uma cidade metropolitana, cidades no meio do deserto, você fica pensando diariamente se é uma boa decisão. Te digo: não pense muito, apenas vá. Vá que coisas incríveis te aguardam, certamente. Qualquer tipo de experiência é válida.

Minhas férias combinou Chile e Bolívia e nessa viagem minha decisão era fazer uma conexão com esse universo incrível, entrar em sintonia com a paisagem desses países. Era uma decisão testar qualquer tipo de limites e eu estava disposta a isso, a chegar de olhos fechados e sonhos despertos, chegar de coração aberto. Essa viagem era um sonho e eu queria concretizá-lo.
FALANDO DE ROTEIROS

Minha passagem era ida e volta Santiago do Chile. Sabia bem que se o destino inicial fosse Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, seria mais econômico, mas surgiu essa passagem promocional pela Tam e sem pensar muito comprei os tickets (abaixo vou detalhar todos os custos da viagem). Acredito que ao final foi ótimo ter comprado para Santiago, pois pude combinar bem Santiago + San Pedro de Atacama. E foi em Santiago que eu tive a experiência de ver neve pela primeira vez na vida. \o/

Cordilheira dos Andes.
Aquele momento de turbulência anunciada pelo piloto.
Saí bem cedo do Rio de Janeiro no dia 8 de setembro. Meu voo era às 7h da manhã e direto para Santiago. Cheguei lá na cidade por volta das 11h30 e no hostel por volta das 13h. Fiquei hospedada no Rado Hostel (http://www.radohostel.com/), localizado num bairro super fofo chamado Bellavista e que possui uma vida noturna agitada, além disso o hostel está próximo a estação de metrô Baquedano (Linha 1). Vale dizer que o metrô do Chile (http://www.metrosantiago.cl/)  te leva a todas as partes da cidade, com 5 linhas e milhões de estações. A tarifa não é lá tão econômica, assim como no Rio de Janeiro. No horário de pico, por exemplo, vale $720 pesos chilenos. Na cotação de hoje (30/09/15), 1 passagem vale aproximadamente R$ 4,12. Porém o metrô é uma opção melhor que ônibus ou táxi, pois em alguns momentos a cidade, como qualquer outra grande capital, tem um trânsito beeem intenso. Um fato interessante é que os preços das tarifas variam de acordo com o horário (tabela abaixo) e um ponto negativo para o metrô é que fecha cedo, às 23h.



Vista do Cerro de San Cristóbal. Era pra ser mais lindo se não fosse
pela neblina. :(
Nesse primeiro dia na cidade realizei o finalzinho de um tour a pé pela cidade. O Free Tour Santiago (http://freetoursantiago.cl/portada.html) é interessante para aqueles que querem conhecer a história da cidade, pois é um feito com um guia. O tour é baseado em troca de gorjetas. Eles costumam pedir $5000 pesos, o que daria em torno de R$ 28,50, mas você é livre para dar mais ou menos. Eu, por exemplo, contribui com $3500 pesos no último dia que estive pela cidade. O tour dura em torno de 4 horas e você passa por diversos pontos importantes e históricos da capital do Chile. O passeio não inclui a entrada dos museus e cerros, mas é ótimo para você se localizar na cidade e depois saber como voltar com mais calma nos pontos que você deseja.  O guia em português realiza o tour de segunda a domingo em dois horários, às 10h e às 15h. O ponto de encontro é na Plaza das Armas, no centro da cidade, em frente a Catedral de Santiago.O passeio terminou na casa/museu de Pablo Neruda e de lá fomos a pé para o Cerro de San Cristóbal, um dos principais mirantes da cidade. Infelizmente esse dia estava com muita neblina e não conseguimos ver a cidade como gostaríamos. :( Mas com céu aberto dá para ver toda a cidade e a cordilheira dos andes embelezando a paisagem ao fundo.

DIA 09 DE SETEMBRO

Vista do Valle Nevado. Acho que vem nevasca aí, né?
No segundo dia, 09 de setembro, decidimos subir as montanhas pra ver neve. *----* Ao lado do Rado Hostel tinha um ponto de informação turística que dão dicas de empresas cadastradas que fazem os passeios. Os passeios tem preços beeeem salgados. Na realidade, o Chile está longe de ser uma cidade muito barata. Não vá pensando em fazer ostentação, pois não vai rolar, a não ser que você possa (o que não era meu caso, rsrs). Minha ideia era tentar economizar ao máximo para conseguir fazer todos os passeios que eu planejei. Para ver neve você pode combinar diferentes tipos de passeios. São diferentes pontos da montanha. Os mais conhecidos são o Valle Nevado e Farellones. O primeiro tem uma pista de ski gigante e bem preparada para aqueles que possuem um nível intermediário. Há também instrutores para contratar, mas é bem carinho. O Valle Nevado é realmente caro, mas tem um mirante lindo da cordilheira. Farellones é tipo uma cidadezinha fofa com algumas atividades, como o skibunda, a cadeirinha de teleférico e ski. Para os iniciantes o Farellones é realmente o ideal, pois é mais econômico e dá para se divertir com as atividades. Nós optamos por fazer um tour paronâmico pelos vales, ou seja, conhecer o Valle Nevado e Farellones, sem aulas de ski.

O famoso ski bunda. Avalanche de pagação de mico.
Mas válida. hahah
Acredito que para aqueles que não pretendem esquiar, ou que querem economizar, o tour panorâmico é ideal, pois conhece a pista mais conhecida que é Valle Nevado, mas também vai a Farellones e ainda tem como fazer ski bunda em uma das paradas que a agência faz (o que foi meu caso). Alugamos aquela espécie de prancha (não sei o nome do equipamente, rsrs) e deslizamos na neve em velocidade considerável. hahahha O morrinho era alto. Na minha última descida capotei lindamente, mas sobrevivi sem nenhum osso quebrado. hahahaha Isso é um ponto importante. Caso alguém queira realmente brincar na neve tem que ir preparado. É mais que necessário usar roupas e calçados impermeáveis. Eu estava com um casaco impermeável e botas, porém de segunda pele e legging. Antes de subir as montanhas a agência faz parada em uma loja que faz o aluguel de roupas, calçados e equipamentos. O valor é bem caro. Vale 8 mil pesos cada peça que você pegar, seja a calça, casaco, luvas, gorro e botas, logo em real sai em torno de 46 reais cada.  Foi necessário eu alugar a calça impermeável e foi o que realmente me salvou. Obviamente a neve derrete e se transforma em água e no frio que faz lá nas montanhas, ficar com roupas e sapatos molhados realmente não é uma boa. Pegamos a temperatura de - 8 graus lá em cima. Imagina?

Quando paramos em Farellones decidimos fazer a Silla Paronamica, tipo cadeirinha de teleférico. A entrada do parque + a cadeirinha saiu por 7 mil pesos. Dependendo da temperatura do inverno, Farellones fica com o parque fechado por conta de ter pouca neve. Ele está a uma altitude mais baixa que Valle Nevado e a neve lá é realmente mais úmida que a de Valle Nevado. Quando chegamos estava nevando bem superficialmente, mas era uma neve tipo granizo, mas em pequenos floquinhos. Subimos para pegar o teleférico e descemos a outro ponto do parque, onde tem as pistas e aulas de ski. A descida acho que levou uns 20 minutos. Chegando lá paramos num quiosque e pedimos um chocolate super quente (que logo se tornou morninho rsrs). Enquanto tomávamos nosso chocolate a neve começou a ficar mais intensa, assim como o vento. Ela já tinha uma textura diferente da que tínhamos chegados. E não deu outra….começou uma nevasca surreal!! Já não conseguíamos ver as montanhas ao nosso redor, tinha uma neblina muito forte e o pior é que tínhamos que voltar e subir ao topo do parque para pegar o onibus de volta pra o centro. Como faríamos isso se não conseguíamos nem visualizar onde estava a estação do teleférico? hahahaha Fomos no feeling, literalmente. Subimos nas cadeirinhas e só conseguíamos enxegar duas cadeirinhas a nossa frente. Não dava pra ver o chão, as montanhas e nada mais. A volta parece que durou a vida. Foi uma experiência mais louca e incrível. Quando, no Rio de Janeiro, eu passaria por uma nevasca assim? Chegamos ao topo do parque como sobreviventes do Pânico na Neve. Lembra daquele filme? Eu só tinha ele na minha cabeça e quando a cadeirinha andava mais devagar eu realmente ficava tensa. hahahah  Mas, sério, foi sensacional! E fica a dica, se quiser subir e ver neve, vá nos meses certos de inverno, vá preparado para o frio, segunda pele e meias térmicas, roupas impermeáveis, óculos escuros, gorro e luvas. Eu fui sem gorro e fiz a palestina com minha pashmina. Sem a pashmina não daria messssmo para passar por aquilo. hahahah


Antes e depois de pegar a silla panoramica. Vai dizer que não é tipo Pânico na Neve? D:


Depois do passeio chegamos ao hostel e nos programamos para sair à noite e jantar em algum lugar legal por ali perto. Descobrimos o patio Bellavista. Que patio maravilhoso! Bem bonito, com vários restaurantes e barzinhos super legais, com shows ao vivo e clima agradável. Obviamente nada muito econômico, mas vale ir um dia com certeza! Paramos em um e decidimos comer um hamburguer com fritas bizarramente enorme (e gostoso) mais um suco de framboesa delicioso. Você irá perceber que o Chile ama suco de framboesa. E eu quero esse suco já aqui no Rio. hahaha A conta deu aproximadamente 9 mil pesos, uns 53 reais pra cada. Acho que foi o hamburguer mais caro que comi na vida, maaaas valeu pelo sabor, né? rsrs


Pátio Bellavista e o super hamburguer com molho especial de abacate e suco de framboesa. Delícia, ok? 

DIA 10 DE SETEMBRO.

Nascer do sol visto de cima, no meio do
 deserto do Atacama.
No dia seguinte, dia 10 de setembro, tínhamos  voo para o nosso segundo destino: San Pedro de Atacama. Como S.P de Atacama não tem aeroporto, é necessário ir para o aeroporto da cidade mais próxima, Calama. A companhia que eu escolhi foi a Sky Airline, pois era a que tinha passagem promocional na época. Comprei pelo despegar.com (o Decolar do Chile) e saiu por volta de 320 reais e voo direto partindo de Santiago é de aproximadamente 2 horas. A distância de Calama para S.P. de Atacama são de 103km, aproximadamente 1h30 a 2h de viagem. Chegando no aeroporto de Calama há duas opções para ir para S.P de Atacama: transfer e taxi+bus. Confesso que não me informei muito sobre como chegar pelo terminal rodoviário, mas depois vi ele sairia mais econômico. O transfer é feito por vans e deixam você na porta do lugar que você ficará hospedado. Preferimos garantir o transfer por segurança mesmo, pois não conhecíamos nada da cidade de S.P. de Atacama. Caso você fechar ida e volta, você garante um desconto. Nós conseguimos ida e volta a 16 mil pesos pela empresa Transvip, aproximadamente R$ 91,20.

Chegando a S.P. de Atacama pela estrada. 
San Pedro de Atacama está localizado no deserto mais árido do mundo, que é o deserto do Atacama. É uma cidadezinha que parece ter parado no tempo. Até mesmo os restaurantes e hotéis mais caros procuram preservar na sua arquitetura a história do lugar, com aspecto mais rústico. A hospedagem na cidade foi algo que realmente me preocupou, pois não há muitas opções econômicas para mochileiros. Fechamos as hospedagens antes de ir e percebemos que os hostels tinham preços que variavam de 9 mil a 15 mil a diária. Estávamos programando fazer o tour de 4 dias por Uyuni, na Bolívia, logo ficamos apenas 3 dias num hostel chamado Backpackers (http://www.backpackersanpedro.cl/), que tinha a tarifa mais econômica da região. Quando chegamos nesse hostel realmente ficamos meio receosos, pois parecia desorganizado e tinha como hospedes dois gatinhos que pareciam fazer a festa por lá, rs. Ficamos num quarto de 4 pessoas. O hostel tinha um clima legal, com barzinho, fogueira e design rústico. O que pecava era realmente a falta de organização e manutenção do espaço, mas foi ideal para que a gente economizasse nesse primeiro momento. As três diárias saiu por 27 mil pesos, aproximadamente R$ 153,90.

Após nos alojar e descansar saímos para conhecer a cidade, almoçar e fechar os passeios. Antes de viajar fiz uma pesquisa das empresas que realizavam passeios. Como são muitas é extremamente necessário fazer uma pesquisa antes da viagem, até mesmo para saber por base quanto será pago e as opiniões daqueles que já fecharam com tal agência. Percebi que todas fazem basicamente o mesmo tipo de passeio, com snacks, almoço e café da manhã em alguns. Acredito que a diferença está na qualidade de serviço e dos guias, assim como dos veículos para transporte e organização da agência. Os preços também variam um pouco. O ideal é tentar fechar todos os passeios com apenas uma agência e garantir bons descontos, mas para isso é importante se informar bem sobre a empresa em questão. 


Eu optei por fechar os passeios com a empresa Layana (http://www.sanpedrodeatacama.com/agencia-turismo-layana.php). Achei muito bom o serviço oferecido, os guias bons e tinham dois beeeeem loucos de pedra. Um foi o guia mais louco que eu tive na vida. Muito engraçado, uma figuraaaa. hahahaha O único problema que tivemos e posso relatar foi referente a uma alteração de passeio. Antes de irmos para a  Bolívia decidimos optar por não fazer o Valle del Arcoiris e fazer o Salar de Tara que foi muito bem recomendado. Fomos até a agência e pagamos a diferença de preço dos passeios. Tara é o passeio mais caro que tem. Está localizado a 120km de San Pedro e inclui café da manhã e almoço. No último dia de passeio o ônibus passou para nos buscar e só ficamos sabendo que estávamos indo pro destino errado quando já estávamos no caminho. Não fizeram a alteração dos passeios e acabamos indo para o Valle del Arcoiris ao invés de Tara. Realmente fiquei chateada por não fazer Tara, mas naquele momento a diferença do valor que recebemos realmente ajudou bastante, já que estava zerada de dinheiro. hahahah Na volta do passeio fomos até a agência e eles deram o dinheiro de volta mais o valor da entrada do parque.

DIA 11 DE SETEMBRO

O primeiro passeio que fizemos, dia 11 de setembro, foi o Valle de La Luna. É o passeio mais próximo da cidade, a 19km. Recebe esse nome por sua similaridade com a superfície da lua. Seu espaço geológico faz parte da Cordilheira de Sal do Atacama e durante o trajeto vemos desde dunas de areia até formações rochosas com formatos surreais e precipitação de sal. Passamos por um trajeto chamado Cuevas de Sal que são como túneis no meio das pedras e com muito sal dentro. Tem que ter cuidado com a cabeça e separar a lanterna do celular. Temos que nos agachar, subir nas pedras e escalar, literalmente. Hahaha Eu não sabia se cuidava da minha cabeça para não bater na rocha, se da minha câmera no pescoço ou do celular na mão para ao mesmo tempo iluminar o caminho para eu não cair ou ele da minha mão. No fim deu tudo certo. hahaha O tour termina com um por do sol maravilhoso  na Duna Mayor, com uma vista panorâmica para as três cordilheiras da região: Cordilheira dos Andes, Cordilheira de Domeyko e Cordilheira de Sal.

Os passeios são organizamos sempre cedinho, tipo saída do hostel às 5h30/6h da manhã ou ao final da tarde, umas 15h/16h. Duram em média 5 horas e os valores tem preços variados.


Por do Sol na Duna Mayor, a precipitação de sal, a mistura de deserto e rochas e as Cuevas de Sal.

DIA 12 DE SETEMBRO

O quinto dia de viagem, 12 de setembro, foi um dia de descanso e preparação para o tour que faríamos a Bolívia e que se iniciaria no próximo dia, 13 de setembro. Sabíamos que a viagem seria mais intensa e então foi bom ter um dia para se organizar mesmo. Compramos algumas coisas pra levar para o tour e um item essencial para a viagem: água! SIM. Você vai precisar de muitos litros de água para se hidratar durante todo o passeio. O galão de água da Nestlé compensa muito mais que uma garrafinha de 500ml. O galão de 6 litros estava saindo em torno de 1700 pesos, aproximadamente R$ 9,70, já uma garrafinha saía em torno de 900 a 1200 pesos. Portanto, o ideal é comprar uma garrafinha de 1 litro e um galão, dessa forma você vai colocado água conforme a necessidade e leva a garrafa para os passeios.

Para o tour do Salar de Uyuni eu estava particularmente estava tensa. Muitos que tinham feito o tour nos falaram do frio intenso que passaram durante o passeio. Eu não achava estar muito bem preparada para o frio, principalmente durante a manhã e noite. Tinha lido alguns relatos que era ideal levar saco de dormir para o passeio, pois pela noite esfria bastante, além de ser um item básico higiênico para os hoteis que passaríamos. Muitos alertas existia sobre a Bolívia, desde de não comer absolutamente nada na rua, até evitar a água da região. Fui bem receosa com tudo. No dia 12 decidi ir até a agência e alugar um saco de dormir. Acho que foi uma ótima escolha, apesar de ter que pagar 5 mil por ele. O saco suportou bem o frio a noite, além de evitar o contato direto com a cama. Consegui pegar o último saco de dormir disponível. Sooooorte a meu favor. hahahaha

Afim de economizar dinheiro, optamos por cozinhar no próprio hostel. Valeu a pena para quem quiser economizar mesmo. Um almoço/jantar em S.P. de Atacama varia de 4500 a 9000 pesos. Um valor bem salgadinho.


No próximo post falarei do tour pela Bolívia, passando pelo Salar de Uyuni. Só aventura deliciosa. :D


[Continue aqui leitura na parte 2]

Beijos,

Jessica.
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